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Saiba o que marcou o último bloco do debate pelo governo de Minas

Simões acusa Euclydes Pettersen de oferecer R$ 10 milhões em propina, Cleitinho rebate e candidatos também discutem relação com Brasília e recursos públicos

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Divulgação/Globo Minas
Divulgação/Globo Minas

O quarto e último bloco do debate da Globo entre os candidatos ao Governo de Minas, na madrugada desta quarta-feira (30), teve o tom mais acalorado da noite. Com temas livres, os participantes trocaram acusações, discutiram a dívida do Estado com a União, alianças nacionais, apostas esportivas e o anúncio de recursos de publicidade para clubes de futebol.

Participaram do debate Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos), Flávio Roscoe (PL), Gabriel Azevedo (MDB), Mateus Simões (PSD) e Patrus Ananias (PT).

Um dos momentos ocorreu no confronto entre Simões e Cleitinho, quando o atual governador do estado afirmou que procurou o gabinete do senador, há cerca de um ano, para alertá-lo sobre Euclydes Pettersen (Republicanos), aliado do candidato.

Segundo Simões, Pettersen teria lhe oferecido R$ 10 milhões em propina para facilitar um contrato. O candidato disse que recusou a suposta oferta e denunciou o episódio.

“Ele tentou me oferecer R$ 10 milhões no meio de um casamento, para que eu pudesse facilitar um contrato para ele. Não só não facilitei, como denunciei o fato”, afirmou Simões.

O candidato também cobrou Cleitinho pela proximidade com Pettersen. “Cleitinho, para com isso, se liberta dessas amizades, não se deixa cercar por esse tipo de gente”, disse.

Cleitinho rebateu dizendo não pode ser responsabilizado por eventuais irregularidades cometidas por pessoas que o apoiam. “O CPF é deles. Eles têm a vida deles e as questões deles. Eu não tenho nada a ver com isso”, declarou.

O senador acrescentou que, caso alguém próximo tenha cometido irregularidades, deverá responder por elas. “Se essa turma que está aí, se tiver alguma coisa errada, vai ter que pagar. E eu não passo pano.”

Apesar do confronto, Cleitinho tentou reduzir o tom pessoal da disputa ao lembrar que a eleição termina no domingo.

“Às vezes, se eu ganhar a eleição, eu posso precisar de você. E se você ganhar a eleição também, você vai precisar de mim, porque eu continuo senador”, disse a Simões.

Cleitinho diz que dialogará com qualquer presidente

Patrus questionou Cleitinho sobre o projeto que pretende implementar caso seja eleito governador. O senador disse que uma das prioridades será reduzir a polarização e manter diálogo com o próximo presidente da República, independentemente do resultado da eleição nacional.

“Eu tenho que dialogar com qualquer um, que seja o presidente, que seja o Flávio Bolsonaro, que seja o Lula, que seja o Renan”, declarou Cleitinho, que também defendeu uma reforma administrativa e redução do tamanho da máquina pública. “Eu vou fazer o Estado menor e o povo maior."

Patrus respondeu defendendo um modelo de desenvolvimento baseado nas diferentes regiões de Minas, com investimentos em educação, saúde, segurança, cultura e desenvolvimento econômico e ambiental.

Dívida de Minas volta ao centro do debate

Depois do confronto com Cleitinho, Simões questionou Roscoe sobre a dívida mineira com a União e criticou o volume de recursos enviados pelo estado ao governo federal.

Roscoe defendeu que uma parcela maior dos valores pagos seja revertida em investimentos dentro de Minas. “A gente não pode permitir que o dinheiro que a gente manda para Brasília fique lá. Ele tem que voltar para Minas”, pontuou o candidato do PL.

A discussão também entrou na disputa presidencial, quando Simões e Roscoe defenderam Flávio Bolsonaro, mas divergiram sobre quem representaria esse campo político em um eventual segundo turno em Minas. Cada um apresentou a própria candidatura como alternativa para impedir a presença do PT na próxima etapa da disputa.

Kalil diz que não escolherá entre Lula e Flávio Bolsonaro

Roscoe questionou Kalil sobre a mudança de posicionamento desde 2022, quando o ex-prefeito de Belo Horizonte esteve no mesmo campo eleitoral de Lula.

Kalil disse aproximação ocorreu por uma “circunstância eleitoral” e disse que pretende seguir de maneira independente nesta eleição. "Eu quero um caminho livre, sem escolher nem o Flávio Bolsonaro e nem o Lula."

O candidato também criticou a relação de Minas com Brasília e argumentou que falta ao Estado capacidade de buscar recursos junto ao governo federal. “Falta governador. Eu tenho experiência, fui prefeito da terceira capital”, disse Kalil.

Bets e recursos para clubes entram na discussão

Mais adiante, Kalil escolheu Gabriel Azevedo para discutir as apostas esportivas. Gabriel relatou que o vício em jogos afetou sua família e defendeu uma postura de enfrentamento ao setor. “Comigo, governador, bet é zero. Nunca”, disse o candidato do MDB.

Gabriel também criticou o anúncio do governo estadual de recursos de publicidade destinados a clubes de futebol.

O candidato, que se declarou atleticano e integrante do Conselho do Atlético, questionou a proximidade da medida com a eleição e afirmou que os interesses dos times não podem se sobrepor às prioridades da administração estadual.

“O nosso time nunca pode estar acima da responsabilidade de governar Minas Gerais”, declarou.

Kalil também criticou a iniciativa e questionou a destinação de recursos a Atlético, Cruzeiro e América. “Parece que tem tara de dar dinheiro para bilionário”, afirmou o ex-prefeito.

Patrus é pressionado sobre governo Pimentel

No fim da rodada, Gabriel questionou Patrus sobre quais erros do governo Fernando Pimentel ele não repetiria caso fosse eleito. Patrus evitou fazer uma avaliação direta da antiga gestão petista e procurou separar sua candidatura do ex-governador.

“Eu não sou advogado de defesa nem advogado de acusação do Fernando Pimentel. Quem é candidato a governador de Minas é Patrus Ananias”, disse.

Gabriel insistiu e citou atrasos no pagamento de servidores e repasses aos municípios ao cobrar uma resposta específica sobre a condução das contas estaduais. “Quando a gente não cuida das contas, a gente não cuida das pessoas”, declarou Gabriel.

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Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público

 

 

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