Renan Santos fica em 4º lugar, admite frustração com urnas e vê 'eleição de devastação'
Com 2,6 milhões de votos, candidato do Missão admite desempenho abaixo do esperado com partido em geral, critica Flávio Bolsonaro, avanço do PL no Congresso e projeta consolidação da nova sigla no longo prazo

Com mais de 99,99% das urnas apuradas no final da noite deste domingo (4), o candidato à Presidência da República, Renan Santos (Missão), consolidou-se na 4ª colocação da disputa eleitoral, alcançando 2,24% dos votos válidos, o equivalente a cerca de 2.675.665 eleitores em todo o país.
Apesar do resultado numérico colocá-lo à frente de nomes tradicionais da política nacional, o clima no núcleo da candidatura foi de sobriedade e avaliação crítica sobre a dinâmica do pleito.
Análise do resultado e críticas ao cenário político
Em pronunciamento divulgado em vídeo nas redes sociais logo após a apuração, Renan Santos classificou o pleito como "uma eleição de devastação". O candidato afirmou que "Flávio Bolsonaro quase venceu o primeiro turno e o PL elegeu uma bancada de mais de 120 deputados", apontando que "não houve nenhum espaço para nada novo".
Ele criticou ainda a dinâmica da campanha, afirmando tratar-se de uma disputa "marcada por ausência de debates, nenhuma discussão de propostas, com os candidatos que mais fugiam, que menos apresentavam propostas, que mais eram covardes sendo recompensados por conta disso com todo o apoio da população". Ao sintetizar o cenário, o líder político concluiu que "o Brasil não é para amadores".
Em transmissão ao vivo realizada no YouTube, o dirigente adotou um tom ainda mais direto ao admitir que o desempenho nas urnas foi um "resultado muito pior do que nós esperávamos". Ele enfatizou o avanço da oposição, classificando como "acachapante a quantidade de voto útil que foi dada aos candidatos do PL", e acrescentou sobre o pleito: "nunca vi uma eleição tão ruim quanto essa. Não houve debate, não houve troca de dia. Uma eleição que é tão estranha que o Flávio Bolsonaro quase vence no 1º turno, sendo o Flávio Bolsonaro, ou seja, ele teve um desempenho muito superior ao pai dele em duas eleições. Muito superior ao pai sendo ele um nada em termo de carisma, um nada em termos de inteligência. O PL vai fazer uma base colossal no Brasil".
Desempenho partidário e representação parlamentar
O impacto do cenário eleitoral também se refletiu nas projeções do partido Missão para os legislativos estadual e federal. Durante a live, Renan projetou que a bancada da legenda ficará restrita a poucos nomes: "provavelmente faremos só o Kim [Kataguiri] e o Minato [Rafa Minato] como deputado estadual em São Paulo. Nos outros estados não vamos conseguir nada". Ele avaliou que "o resultado em geral não é bom para o projeto", mas fez questão de ressaltar o empenho da militância: "para nós que fizemos isso com muito pouco dinheiro, com time de novatos, não há o que reclamar do time, fizemos o máximo com o que tínhamos".
Apesar das dificuldades, Renan fez balanço positivo do esforço individual e coletivo ao afirmar que "mesmo sem praticamente nenhum dinheiro e nenhuma estrutura, ficamos à frente de dois governadores".
O candidato também mencionou os entraves enfrentados ao longo da campanha, sustentando que "mesmo com toda a sabotagem, com o algoritmo das redes sociais destruído, com Dias Toffoli cassando minha candidatura, com a Rede Globo sabotando minha eleição, pelo debate, eu lutei até o fim, até o último segundo, até o último voto".
Comparações internacionais e próximos passos
Ao projetar o futuro da sigla, Renan rebatia a ideia de recuo: "para quem acha que nós vamos desistir ou diminuir a intensidade do nosso trabalho, está muito errado". Para ilustrar a consolidação de novas legendas de direita, o candidato citou exemplos internacionais, lembrando que "o partido Chega de André Ventura em Portugal elegeu na sua primeira eleição um deputado. O partido de Milei também começou com um deputado na Argentina". Diante disso, reforçou a necessidade de perseverança: "você precisa firmar pé naquilo que você acredita e trabalhar para crescer sem medo de ser feliz. É isso que nosso grupo político vai fazer".
Ao encerrar suas falas, o dirigente agradeceu aos apoiadores "que doaram, ajudaram, participaram das nossas viagens, rodaram os nossos eventos, estiveram conosco em todos os momentos", destacando a construção do movimento desde "o livro amarelo à fundação do partido". Ele deixou um recado final para a militância: "nunca deixe a peteca cair. Como eu já disse para vocês, a voz do povo não é a voz de Deus. Deus fala através dos corajosos. Os corajosos nessa eleição falaram através do número 14". Convocando a militância para o congresso do MBL, concluiu assinalando que "essa é só a primeira de muitas eleições do partido Missão" e reafirmando sua trajetória na disputa presidencial.
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de Agro e Brasil.



