Presidente do PT diz que Lula deve vencer eleições debatendo direitos sociais e cobra checagem de falas em debate
Presidente nacional do PT também critica trajetória política de Flávio Bolsonaro, defende transparência sobre movimentações financeiras e questiona possível mudança nas regras eleitorais na reta final da campanha

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta na discussão sobre direitos sociais e nas condições de vida da população para vencer as eleições. Em entrevista nesta quarta-feira (21), no Palácio do Planalto, ele também criticou a trajetória política do senador Flávio Bolsonaro e defendeu que as declarações dos candidatos sejam verificadas durante o próximo debate presidencial.
Ao comentar uma pesquisa eleitoral da Quaest, Edinho afirmou que os levantamentos indicam crescimento de Lula e aumento da rejeição a Flávio Bolsonaro. Segundo o dirigente petista, o eleitorado estaria avaliando o histórico político do senador, que, na avaliação dele, representa posições contrárias a direitos trabalhistas, benefícios para mulheres e políticas de proteção social.
Edinho também questionou as posições de Flávio na área da segurança pública e afirmou que o senador não teria coerência para abordar o tema durante a campanha. As declarações são críticas políticas do presidente do PT e não constituem, por si só, uma verificação independente das acusações apresentadas.
Movimentações financeiras
O dirigente petista também comentou a discussão sobre a autorização para a quebra de sigilo bancário e fiscal dos candidatos. Segundo ele, Lula estaria disposto a dar transparência às próprias contas e desafiou Flávio Bolsonaro a adotar a mesma postura.
Edinho citou questionamentos sobre movimentações financeiras atribuídas ao senador e a compra de um imóvel avaliado em cerca de dez milhões de reais. O presidente do PT afirmou que a discussão sobre corrupção deve se basear em fatos concretos, e não em acusações e ilações.
O dirigente, porém, ressaltou que a estratégia eleitoral do partido será concentrada principalmente em temas sociais. Entre os pontos que pretende explorar, estão a situação econômica durante o governo de Jair Bolsonaro, a política de reajuste do salário mínimo, a aposentadoria e o funcionamento do programa Farmácia Popular.
PT pede checagem de declarações no debate
Edinho Silva também defendeu que a TV Globo faça a checagem das respostas dos candidatos durante o debate presidencial. Segundo ele, a verificação deve abranger os dois concorrentes, com o objetivo de identificar informações falsas e evitar que o confronto seja utilizado para disseminar desinformação.
Na avaliação do presidente do PT, o debate, previsto para ocorrer a 48 horas da votação, deve ajudar o eleitor a formar opinião com base em informações verificadas.
Outro assunto abordado foi a possibilidade de mudanças nas regras para os canais de WhatsApp nas 48 horas anteriores à eleição, conforme uma proposta mencionada em reportagem da Folha de S.Paulo.
Edinho disse ter recebido do ministro Nunes Marques uma garantia de que não haveria mudanças bruscas nas regras durante a reta final da campanha. Por isso, afirmou acreditar que a medida não será implementada.
O presidente do PT ressaltou que a legenda poderá adotar medidas jurídicas caso considere necessário e defendeu igualdade de condições entre as candidaturas. Segundo ele, as regras eleitorais não devem ser alteradas com a disputa em andamento.
Por fim, Edinho negou que a esquerda tenha demorado a reagir nas redes sociais. Para ele, a mobilização nas plataformas digitais acompanha a participação da população nas ruas. O dirigente informou ainda que Lula permaneceria em Brasília para se preparar para o debate presidencial.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



