Flávio X Lula: veja como foi o primeiro debate presidencial da eleição de 2026
Denúncias e escândalos de corrupção, envolvendo o Banco Master e o INSS, foram citados pelos dois candidatos à presidência da República durante o debate deste domingo (18); temas como Saúde, Segurança Pública e Economia também tiveram espaço no encontro

O primeiro debate com os dois principais candidatos à presidência da República na eleição de 2026, realizado na noite deste domingo (18) pela TV Bandeirante, foi marcado por troca de acusações e momentos de tensão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Escândalos e denúncias vieram à tona logo na primeira parte do encontro, com Lula e Flávio apontando relações do adversário com casos de corrupção que tomaram os noticiários nos últimos meses.
O encontro foi marcado também por perguntas não respondidas por parte dos dois candidatos, que adotaram a estratégia de mudar os temas discutidos e ignorar questionamentos dos adversários.
Segurança Pública
O primeiro tema, com uma pergunta feita por jornalistas, foi a segurança pública. Flávio criticou o governo Lula e afirmou que seu eventual governo será rigoroso com o crime organizado.
“Eu vou recuperar cada metro, rua, bairro, cidade, território tomado do povo brasileiro [...] Vou para cima dos marginais com leis mais duras. No governo do Flávio Bolsonaro não vai ter ninguém passando a mão na cabeça de bandido. Vou construir mais de meio milhão de vagas nos presídios. Quem vai ter medo serão eles”, afirmou.
Lula respondeu citando ações do governo federal e afirmou que a criação do Ministério da Segurança, promessa feita durante a campanha, vai garantir maior atuação do Executivo no combate à violência.
“Eu já fiz a lei antifacção, aumentei o tempo de cadeia, estamos combatendo o crime organizado da esquina ao andar de cima. Tem os pobres que roubam e os ricos que estão no andar de cima. E, se o Senado votar, vou criar o Ministério da Segurança Pública para que a gente liberte os territórios da bandidagem”, afirmou.
Luchsinger e Vorcaro
No primeiro confronto livre entre os candidatos, quando eles podem escolher o tema para perguntar ao adversário, Lula questionou uma votação de Flávio em 2009, sobre um benefício para mulheres.
Flávio rebateu questionando a relação de Lula com Roberta Luchsinger, apontada pela Polícia Federal como lobista no esquema do INSS. Em seguida, Lula perguntou sobre a relação do senador com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
“Você conhece Roberta Luchsinger? Roberta fez acusações muito graves. Você tem a oportunidade de esclarecer agora”, disse Flávio.
Lula respondeu que a Polícia Federal vai investigar e questionou: “Por que você tem escritório com o Careca do INSS?”.
“Por que seu filho está foragido?”, disse o senador, em referência a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. “Seu irmão está fugido nos EUA. Vocês estão traindo a pátria. Meu filho irá prestar depoimento e não irá se esconder”, respondeu Lula.
Tarifaço e relação com os EUA
Durante o debate, Lula questionou se Flávio pretendia entregar aos americanos o acesso às terras raras brasileiras, minerais utilizados na fabricação de baterias, chips e celulares.
O presidente também acusou a família Bolsonaro de atuar em favor dos interesses americanos e afirmou que o Brasil precisa conduzir a exploração de seus recursos naturais de acordo com os interesses nacionais.
“É notável pelo povo brasileiro que a família Bolsonaro está subordinada aos interesses americanos”, declarou Lula. O petista também mencionou a atuação do irmão do senador nos Estados Unidos e o acusou de pressionar contra o Brasil.
Flávio rebateu as críticas e afirmou que viajou aos Estados Unidos para defender empresas e produtos brasileiros diante das tarifas. Segundo o candidato do PL, o governo Lula não enviou representantes para atuar em defesa dos setores afetados pelas medidas comerciais americanas.
“Eu fui até lá nos Estados Unidos para defender as empresas e os produtos brasileiros”, afirmou o senador. Ele também acusou Lula de ter procurado Trump para defender organizações criminosas, em referência à discussão sobre a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Saidinhas e criminalidade
O presidente Lula defendeu a manutenção de "saidinhas" para detentos com bom comportamento, o que foi rechaçado por Flávio Bolsonaro, que prometeu acabar com o benefício caso seja eleito.
"Vai ter que liberar todo mundo, inclusive Vorcaro. Se a pessoa tiver um comportamento decente, se estiver se recuperando, é justo que ela possa sair para ver a sua família. Afinal de contas, o sistema prisional é feito na perspectiva de recuperar as pessoas. Eu acho que as pessoas têm que ser recuperadas mesmo", justificou Lula.
"Como vocês puderam ver, ele está muito mais preocupado com o direito dos criminosos do que com o direito das vítimas", disparou Flávio.
Fim da escala 6x1
No confronto entre os candidatos, Lula questionou Flávio sobre a mudança de posição no Senado em relação ao fim da escala 6x1, que foi promulgada pela Casa legislativa nesta semana. O senador afirmou que ouviu a população e, por isso, mudou de opinião.
“Eu votei a favor da escala 6x1. Eu sei ouvir, sei escutar, posso mudar minha opinião se for melhor para o brasileiro. No atual governo, na sua folga, você vai para a praia com medo de ser assaltado, no ônibus você fica com medo de ser assaltada. Eu não quero que seu dia de folga seja dia de pesadelo. Quero que você tenha condições, porque seu salário permite, que você vá no supermercado e encha seu carrinho, que hoje está muito caro. Quero que durante sua folga você tenha tranquilidade para sair para a rua. Que você consiga sair da sua dívida, que o atual governo te colocou”, afirmou o candidato do PL.
Lula, por sua vez, criticou o adversário e disse que ele desconhece a realidade do trabalhador brasileiro.
“Meu adversário conhece ônibus por literatura, ele nunca entrou num ônibus, conhece o trabalhador por literatura, porque ele nunca trabalhou. Trabalho para ele é coisa de ficção. Eu tenho consciência que o custo de vida está mais caro, mas estava mais caro no governo do pai dele. Fomos nós que tivemos a decência de aumentar o salário mínimo acima da inflação, coisa que eles não fizeram em quatro anos. Eu vou continuar aumentando o salário mínimo e vou continuar lutando para abaixar a inflação, que aumentou por causa do amigo dele, o Trump”, respondeu Lula.
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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Atuou na assessoria de comunicação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e nas redações da Rede Minas e da Rede Catedral. Atualmente, cobre as eleições de 2026 pela Itatiaia.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.







