Prefeitura de São Paulo proíbe caminhada na Paulista; PT reage e diz que vai descumprir decisão
Partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diz que não vai cumprir determinação da gestão Ricardo Nunes (MDB) e mantém ato pra manhã de sábado

A Prefeitura de São Paulo proibiu a realização de atos de campanha neste final de semana na avenida Paulista, no Centro da capital paulista. O Executivo também proibiu a montagem de carreta de som e palco no endereço.
A determinação veta diretamente uma caminhada do presidente Lula (PT) e de Fernando Haddad (PT) convocada para a manhã deste sábado (3), no entorno do Masp, na Avenida Paulista. A cúpula petista está tratando a caminhada como um ato estratégico de fechamento das campanhas de Lula e Haddad, candidato ao Palácio do Planalto e Palácio dos Bandeirantes, respectivamente.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) diz que fundamentou a proibição em uma determinação do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo. Segundo o Executivo municipal, o TRE-SP pediu que a Avenida Paulista não fosse obstruída durante todo os dias 3 e 4 de outubro, véspera e dia da votação do 1º turno, e nos dias 24 e 25, véspera e dia da votação do 2º turno.
A prefeitura diz que a medida visa evitar a interrupção de acesso e circulação de servidores, equipamentos, mesários, apoios logísticos e eleitores nos dias de votação e em suas vésperas.
O outro lado: PT reagiu e diz que não cumprirá medida da prefeitura
Em nota, o PT diz que não vai aceitar a decisão da prefeitura, ressaltou que vai procurar a justiça e garantiu que a caminhada está mantida manhã de sábado.
Sem citar nomes, o PT diz que a decisão da prefeitura abre "margem para interpretações de cunho político". A prefeitura da capital é comandada por Ricardo Nunes (MDB), aliado de Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicano) e adversário político declarado de Lula e Fernando Haddad, ambos do Partido dos Trabalhadores.
"O PT lamenta a tentativa da Prefeitura de São Paulo de criar confusão em torno da realização do ato, o que abre margem para interpretações de cunho político com objetivo de prejudicar a mobilização da agenda", diz trecho do posicionamento do partido.
No entendimento da legenda, os eventos eleitorais dessa natureza não dependem de autorização prévia do poder público. O núcleo petista diz que fez a comunicação prévia às autoridades para garantir organização do espaço público e evitar a coincidência de atos no mesmo local e horário. Segundo o partido, foi cumprido o que exige a lei.
Confira a nota na íntegra da Prefeitura de São Paulo:
"A Prefeitura de São Paulo, por meio da Subprefeitura Sé, informa que nenhum evento poderá ser realizado na Avenida Paulista nos dias 03 e 04 de outubro. Fica também impedida a montagem de carreta de som e palco no endereço.
A negativa atende a uma requisição do Tribunal Regional Eleitoral do Estado de São Paulo (TRE-SP), que determinou que a Avenida Paulista seja mantida desimpedida durante a integralidade dos dias 03, 04, 24 e 25 de outubro de 2026.
O objetivo desta medida é evitar qualquer tipo de obstrução ao acesso e circulação de servidores, equipamentos, mesários, apoios logísticos e eleitores nos dias de votação e em suas vésperas.
Em cumprimento a essa determinação, a Subprefeitura editou portaria suspendendo o funcionamento do Programa Ruas Abertas da Avenida Paulista e de todas as feiras da região nos domingos de eleição (04 e 25 de outubro). O Diretório Estadual do partido já foi notificado sobre a impossibilidade de realização de evento solicitado na Avenida Paulista durante os dias 03, 04, 24 e 25 de outubro de 2026 por meio de Ofício".
Confira a nota na íntegra do PT de São Paulo:
"O PT lamenta a tentativa da Prefeitura de São Paulo de criar confusão em torno da realização do ato, o que abre margem para interpretações de cunho político com objetivo de prejudicar a mobilização da agenda.
Eventos eleitorais dessa natureza não dependem de autorização prévia do poder público, cujo papel é garantir a segurança de todos. A legislação estabelece a necessidade de comunicação prévia justamente para garantir a organização do espaço público e evitar a coincidência de atos no mesmo local e horário. Essa comunicação foi devidamente realizada pelo partido.
Na quarta-feira (30/9), representantes do Diretório Estadual do PT participaram de reunião com a Subprefeitura, a Polícia Militar, a Guarda Civil Metropolitana, a CET e a SPTrans para tratar da operação da caminhada. O evento e seu percurso foram apresentados aos órgãos responsáveis, e a reunião foi registrada e lavrada em ata.
Estranhamente, após a reunião, a prefeitura comunicou ao partido e à imprensa que a caminhada não poderia ser realizada, sob a justificativa de que o TRE/SP solicitou que a avenida Paulista fique desobstruída nos dias 3 e 4.
O ofício do TRE-SP requisita a abertura da Avenida Paulista para a circulação de veículos no domingo de eleição. A própria portaria municipal determina a suspensão do Programa Ruas Abertas especificamente no domingo, 4 de outubro, dia da votação. Não há, nesses documentos, determinação equivalente para o sábado (3/10).
Também não há proibição eleitoral à realização da caminhada. Ao contrário: o calendário oficial da Justiça Eleitoral prevê expressamente a possibilidade de caminhadas, carreatas e passeatas até as 22h do sábado, véspera da eleição.
O PT não aceitará que uma determinação legítima destinada a garantir a circulação na Avenida Paulista durante o dia da votação seja utilizada como justificativa para impedir ou dificultar um ato público no dia anterior.
Portanto, vamos, sim, realizar este grande encontro. A caminhada deste sábado (3/10) está mantida. Não há razão para recuo diante do exercício legítimo de um direito democrático. O PT seguirá tomando todas as medidas jurídicas e administrativas cabíveis para assegurar a realização do ato, com segurança e organização, e para garantir o pleno exercício do direito à manifestação".
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.



