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Polarização entre petismo e e bolsonarismo desafia crescimento da 'terceira via'

Além do senador, herdeiro político de Jair Bolsonaro, e do presidente Lula, ao menos outros seis postulantes ao Palácio do Planalto correm por fora

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O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Lula pleiteiam a presidência. • Saulo Cruz/Agência Senado e Ricardo Stuckert / PR.

Faltando pouco mais de quatro meses para as eleições de outubro, as principais pesquisas eleitorais apontam dois candidatos à frente: o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição.

Nesse cenário, no entanto, ainda há outros postulantes ao Palácio do Planalto que correm por fora na tentativa de superá-los. Entre esses nomes estão Ronaldo Caiado (PSB), Romeu Zema (Novo), Joaquim Barbosa (Democracia Cristã), Augusto Cury (Avante), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Renan Santos (Missão), com a possibilidade de a lista incluir também o deputado federal Aécio Neves (PSDB).

A possibilidade de uma "terceira via" em meio a dois favoritos, normalmente antagônicos, não é uma prerrogativa criada pelo petismo ou pelo bolsonarismo, mas algo que se repete há anos no país. "Quase todas [as eleições] foram bipartidárias, entre duas escolhas: um partido consolidado, o PT, e outro que se alternou. Ora o PRN, depois o PSDB, depois o PFL, agora o PL. Esse pleito caminha na mesma direção: um candidato petista e o principal antagonista ao petista", disse o cientista político Malco Camargos à Itatiaia.

Na avaliação dele, o que pode ser um diferencial na votação deste ano é a disputa pelo antagonismo ao PT. "Não há espaço para uma candidatura de centro, isso é fato, mas quem será o adversário do PT? Hoje, o nome consolidado é o de Flávio [Bolsonaro], mas, dependendo do decorrer da campanha, pode haver uma mudança, e ele deixar de ser o candidato do PL", explicou.

O senador, escolhido como herdeiro político do pai, Jair Bolsonaro (PL), enfrenta uma crise política. Uma reportagem publicada pelo portal The Intercept Brasil revelou uma troca de mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e envolvido em uma das maiores fraudes do sistema financeiro brasileiro.

"Mesmo com a eleição polarizada, o resultado é sempre imprevisível. O que aconteceu nesta semana é um bom exemplo disso. Todos os ventos sopravam na direção do crescimento e fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro e, de repente, isso muda, e Lula passa a ser um novo protagonista, com mais chances do que tinha há dez dias", disse Camargos.

Apesar da grande polarização, quem define, de fato, o resultado das eleições são os eleitores que não estão nem de um lado nem de outro. Segundo Camargos, estima-se que o PT e o PL, partidos de Lula e Bolsonaro, tenham aproximadamente 30% da preferência partidária do eleitorado.

"Eles não têm força suficiente para eleger um candidato sozinhos, mas são fundamentais porque a escolha desses eleitores, quando vão para um lado ou para o outro, é o que define o resultado. São aqueles que não têm uma preferência clara, que não fazem parte da polarização, que de fato definem o jogo", declarou.

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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.