Pedágios no Sul, metrô na Grande BH e saúde na Zona da Mata dominam terceiro bloco do debate pelo Governo de Minas
Perguntas foram divididas por regiões de Minas e colocaram candidatos frente a frente sobre infraestrutura, hospitais, educação e meio ambiente

O terceiro bloco do debate da Globo entre os candidatos ao Governo de Minas foi marcado por discussões sobre problemas específicos das diferentes regiões do estado, com destaque para infraestrutura, saúde, transporte, educação e desenvolvimento econômico.
Cleitinho Azevedo (Republicanos) abriu o bloco falando sobre o Sul de Minas e voltou a criticar os contratos de concessão de rodovias na região.
O candidato diz pretender rever os contratos de pedágio e criticou tarifas que, segundo ele, chegam a R$ 15 ou R$ 16 mesmo em trechos sem duplicação. “Quem tem que ser beneficiado é o povo, quem usa”, afirmou, ao prometer uma análise “contrato por contrato”.
No mesmo confronto, Alexandre Kalil (PDT) chamou atenção para os impactos da reforma tributária sobre empresas do Sul de Minas e defendeu políticas de incentivo para preservar empregos e agregar valor à produção regional, especialmente no setor cafeeiro.
Provocações sobre região Central e metrô
Mateus Simões (PSD) e Kalil e protagonizaram um dos confrontos mais duros do bloco ao falar sobre as regiões Central e Metropolitana.
Kalil acusou o atual governo de ter abandonado a região e disse que a gestão estadual não teria feito investimentos suficientes com recursos próprios.
Simões rebateu atacando a administração de Kalil em Belo Horizonte e citou investimentos em transporte sobre trilhos.
“A gente não dá subsídio para empresa de ônibus, não, mas a gente está construindo a Linha 2 do metrô, que ninguém tirou do papel”, diz Simões, mas Kalil reagiu usando a própria votação para defender sua gestão na capital. “Eu estraguei tanto a região que fui reeleito com 63%”, disse.
Saúde domina confronto sobre Zona da Mata
Ao discutir a Zona da Mata, Simões questionou Gabriel Azevedo (MDB) sobre a estrutura de saúde da região. Gabriel defendeu diálogo com prefeitos independentemente de partido e disse que pacientes não podem ser afetados por disputas políticas.
“Paciente não tem cor de partido, nem doença”, disse. Simões respondeu enumerando investimentos em hospitais de Juiz de Fora, Ponte Nova, Viçosa e Ubá, além de equipamentos para tratamentos especializados.
Gabriel também levou o debate para prevenção de enchentes e defendeu o conceito de “cidade esponja”. “A gente tem que prevenir ao invés de ver as cenas das chuvas repetindo”, apontou o candidato do MDB.
Rio Doce e desigualdade no Leste de Minas
Gabriel escolheu Patrus Ananias (PT) para discutir a região Leste e perguntou sobre a recuperação do Rio Doce.
O candidato do PT disse que a preservação ambiental precisa caminhar ao lado do desenvolvimento econômico e social. "Nós temos que ter um trabalho muito vigoroso na proteção ambiental”, relatou Patrus.
Gabriel, por sua vez, defendeu o cumprimento integral dos acordos relacionados ao Rio Doce, monitoramento independente da qualidade da água e participação da sociedade civil e das universidades. “Não adianta só o governo falar que está tudo bem”, disse Gabriel.
Educação no Triângulo
Patrus e Flávio Roscoe (PL) discutiram políticas educacionais para o Triângulo Mineiro. Roscoe citou experiências do Sesi com tecnologia e robótica e defendeu que modelos semelhantes sejam levados à rede pública.
Patrus, por sua vez, defendeu valorização salarial dos professores e expansão do ensino em tempo integral. “O nosso compromisso é com a educação pública”, declarou.
Norte de Minas fecha o bloco
No último confronto, Roscoe questionou Cleitinho sobre a falta de água no Norte de Minas e cobrou resultados de audiências realizadas pelo senador sobre o tema desde 2019.
Cleitinho respondeu associando a escassez de investimentos na região aos gastos com fundos eleitoral e partidário e destacou que sua campanha não utiliza recursos públicos. Ao tratar diretamente do problema hídrico, o senador defendeu a construção de reservatórios, a proteção de nascentes e mais investimentos em saneamento básico.
“Lá falta saneamento básico, lá falta emprego, lá falta tudo”, afirmou Cleitinho, que também voltou a defender a criação de uma espécie de estrutura administrativa descentralizada no Norte de Minas, de onde apontou que pretende despachar caso seja eleito, como forma de aproximar o governo estadual de regiões que considera historicamente esquecidas.
“Essas regiões sempre foram esquecidas, sempre foram esquecidas. É as regiões mais carentes que tem”, disse o senador.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público


