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O saldo do caso Master nas eleições: nomes ligados a Vorcaro são eleitos em 2026

Apesar das vitórias, outros nomes associados ao escândalo do Master não conseguiram se sobrepor ao caso, como é o caso de ACM Neto (União-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI)

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Tânia Rêgo/Agência Brasil.

Os escândalos envolvendo as fraudes financeiras de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, atingiram o Supremo Tribunal Federal (STF), que vive uma das maiores crises institucionais de sua história, provocada pela suposta relação pessoal e próxima de ministros da Corte com o ex-banqueiro.

A ampla rede de relacionamentos de Vorcaro, no entanto, parece não ter surtido efeito nas eleições deste último domingo (5), já que diversos nomes que apareceram nas conversas divulgadas do ex-banqueiro conseguiram se eleger.

O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 155.836 votos. Entre 2023 e 2024, ele e a irmã prestaram serviços de advocacia ao Banco Master.

Rueda também ganhou uma carona no helicóptero de Vorcaro em 2024, durante o Grande Prêmio de Fórmula 1, em Interlagos.

Além disso, Rueda recebeu do Master pagamentos de mais de R$ 2 milhões.

O deputado eleito nega irregularidades e afirma que os repasses se referiam aos serviços de advocacia prestados ao banco.

Mário Frias (PL-SP) foi reeleito em São Paulo e manteve o mandato na Câmara Federal. O parlamentar e produtor executivo de Dark Horse, filme sobre a vida de Jair Bolsonaro (PL), obteve 91 mil votos. Em setembro deste ano, ele foi alvo de um mandado de busca e apreensão da Polícia Federal (PF) em uma operação sobre R$ 2 milhões em emendas parlamentares desviadas para o longa-metragem, patrocinado por Vorcaro.

Em Minas Gerais, Nikolas Ferreira (PL) foi reeleito com mais de 2,6 milhões de votos, sendo o deputado mais bem votado da história do país. O parlamentar não é investigado, mas, em março, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS encontrou o número dele em uma lista de Vorcaro.

Nikolas negou qualquer tipo de encontro com o banqueiro, mas admitiu ter viajado em um avião do dono do Master, mesmo sem saber quem era o proprietário do jatinho.

Em setembro deste ano, foram revelados áudios enviados por Nikolas a Vorcaro em março de 2025.

Na Bahia, o senador Jaques Wagner (PT), investigado na Operação Compliance Zero por suspeita de ter recebido vantagens indevidas negociadas com um ex-sócio de Vorcaro, se reelegeu com mais de 3,8 milhões de votos. Ele nega todas as acusações.

A segunda cadeira do Senado pela Bahia ficou com Rui Costa (PT), cujo nome apareceu até mesmo na proposta de delação de Daniel Vorcaro, rejeitada pela PF e pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por falta de elementos suficientes para sustentar os relatos. Ele nega qualquer tipo de favorecimento ao Master.

O deputado baiano Elmar Nascimento (União Brasil) também renovou o mandato. Ele foi citado em apurações jornalísticas em conversas com o ex-dono do Master.

Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, também não foi afetado pelo escândalo do Master. Apesar de imagens da Piauí, divulgadas inclusive no dia da votação, mostrarem uma aparente relação próxima entre Vorcaro e Motta, em uma viagem patrocinada pelo Master a Londres, o parlamentar foi reeleito com quase 124 mil votos na Paraíba.

Em nível nacional, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apesar de não ter vencido, uma vez que a eleição seguiu para o segundo turno, saiu na frente do presidente Lula (PT) na disputa eleitoral, com 47,27% dos votos válidos contra 44,88% do petista. Segundo as investigações da PF, Vorcaro teria financiado ao menos US$ 14 milhões dos US$ 24 milhões solicitados pelo parlamentar para o filme Dark Horse.

O senador, de início, negou qualquer tipo de patrocínio e chegou a dizer que não conhecia Vorcaro. Posteriormente, admitiu ter negociado com o ex-banqueiro, mas sob a justificativa de que buscava um investimento privado para bancar a produção cinematográfica.

Nos áudios divulgados pelo portal The Intercept Brasil, Flávio aparece chamando o ex-dono do Master de "irmão".

O senador é investigado em um inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) sob suspeita de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionados ao financiamento de Dark Horse.

O presidente Lula, que disputará a eleição, teria recebido um whisky de Vorcaro por meio da interlocução do advogado Walfrido Warde, que integrava a defesa do ex-banqueiro. Em mensagens obtidas pela PF, ele aparece como um articulador da aproximação entre o ex-dono do Master e o Palácio do Planalto.

Lula minimizou a situação e disse que, se recebeu algum whisky, já teria bebido.

Em entrevista ao Flow Podcast, antes do primeiro turno, o petista disse que Vorcaro procurou o governo federal buscando ajuda financeira com a frase "o que todo quebrado quer".

Derrotas contadas

Apesar das vitórias, outros nomes associados ao escândalo do Master não conseguiram se sobrepor ao caso. ACM Neto, ex-prefeito de Salvador e candidato ao governo da Bahia, aparecia em trocas de mensagens obtidas pela PF agendando encontros com Vorcaro. Ele perdeu a disputa em primeiro turno para o governador Jerônimo Rodrigues (PT), que se reelegeu.

Ciro Nogueira (PP-PI) também não conseguiu êxito nas urnas. O senador tinha um assento na Câmara Alta do Congresso desde 2011, quando se elegeu pela primeira vez. Entre 2021 e 2022, ele foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro.

As duas cadeiras ficaram com Marcelo Castro (MDB) e Júlio Cesar, o Julim do Lula (PSD).

Em maio, o parlamentar, que é presidente do PP, foi alvo de uma operação da PF no âmbito da investigação que apura as fraudes envolvendo o Master. De acordo com a Polícia Federal, foram identificadas vantagens indevidas de Vorcaro para Ciro, com pagamentos mensais de R$ 300 mil, uso de imóveis e também viagens internacionais bancadas pelo ex-banqueiro.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.

 

 

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