O que é método fônico? Entenda proposta defendida por Renan Santos para alfabetização
Candidato à Presidência quer tornar abordagem obrigatória nas escolas; método associa letras aos sons da fala e é alvo de debate entre especialistas em educação

Entre suas propostas para a educação, Renan Santos (Missão), candidato à Presidência da República, defende que o chamado "método fônico" seja adotado de forma obrigatória na alfabetização das escolas brasileiras.
A proposta divulgada pela campanha nas eleições de 2026 prevê o “retorno obrigatório ao método fônico”, além de medidas como fim da progressão continuada, avaliações de desempenho e premiação de professores e diretores com melhores resultados.
“A não obrigatoriedade do uso do método fônico, somado a apostas alternativas em doutrinas de esquerda para alfabetizar crianças, está piorando a alfabetização das nossas crianças", aponta Renan em sua proposta.
A adoção sistemática do método, na avaliação do candidato, ajudaria a reduzir os problemas de alfabetização no país e estabeleceu como meta que nenhuma criança chegue aos 12 anos sem estar alfabetizada.
Em manifestações anteriores, Renan também citou a experiência da Inglaterra para defender a proposta e disse que o país obteve melhores resultados de leitura após ampliar o ensino sistemático das relações entre letras e sons.
Mas, afinal, o que é o método fônico e como ele funciona na prática?
De forma simples, a abordagem ensina a criança a relacionar as letras aos sons que elas representam. Ou seja, antes de avançar para palavras e textos mais complexos, o estudante aprende sistematicamente as correspondências entre grafemas, as letras, e fonemas, os sons da fala.
Na prática, a criança aprende, por exemplo, que a letra 'F' está associada ao som 'efe' e passa a combinar esses sons para formar sílabas e palavras. O objetivo é permitir que o aluno consiga “decodificar” palavras que nunca viu anteriormente, em vez de depender apenas da memorização.
O método faz parte das chamadas abordagens sintéticas de alfabetização, que começam pelas unidades menores da língua, sons e letras, para depois chegar às sílabas, palavras e frases.
Método fônico é o mesmo que “bê-á-bá”?
Em sua proposta, Renan diz que “O método fônico é aquele método tradicional que quase todo mundo aprendeu a ler e escrever. Lembra do ‘Ivo viu a uva’, do be-a-bá, do ba-be-bi-bo-bu?." Mas não é exatamente assim. Especialistas fazem uma distinção entre o método fônico, o método alfabético ou de soletração e o método silábico.
No fônico, o foco está no som das letras. No alfabético, a aprendizagem tradicionalmente parte do nome das letras. Já no silábico, unidades como “ba”, “be”, “bi”, “bo” e “bu” ganham maior centralidade.
O próprio candidato, ao explicar sua proposta, associa o método a exemplos como “Ivo viu a uva” e “ba-be-bi-bo-bu”. Tecnicamente, porém, esses exemplos podem misturar abordagens diferentes de alfabetização.
O método tem respaldo científico?
Há evidências relevantes em favor do ensino explícito e sistemático das relações entre letras e sons, principalmente nas etapas iniciais da alfabetização.
Em material publicado pelo Ministério da Educação, especialistas destacam que pesquisas nacionais e internacionais apontam vantagens da abordagem fônica em relação a métodos que não explicitam de maneira sistemática a relação entre grafemas e fonemas.
Isso não significa, porém, que exista consenso de que um único método deva ser aplicado isoladamente a todas as crianças. No debate acadêmico brasileiro, estão diferentes concepções sobre como combinar consciência fonológica, compreensão do sistema de escrita, leitura de textos, produção escrita e desenvolvimento do vocabulário.
Além disso, fatores como formação do professor, material utilizado, contexto do aluno e acompanhamento individual também influenciam o processo de alfabetização.
O Brasil já utiliza o método fônico?
Escolas e professores podem utilizar atividades baseadas em consciência fonológica e relações entre letras e sons, mas o país não possui atualmente uma regra determinando que todas as escolas utilizem exclusivamente um método fônico.
A proposta de Renan é transformar a abordagem em diretriz obrigatória nacional e reduzir adoção de métodos alternativos na alfabetização.
Jornalista pela PUC Minas e pós-graduanda em Política e Relações Internacionais. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público



