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Seis em cada dez alunos terminam o ensino médio com aprendizagem abaixo do básico

Apesar dos avanços registrados nas últimas duas décadas, cenário é mais crítico em matemática; especialista defende aceleração das políticas educacionais

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Professora escrevendo em quadro em sala de aula
Professora escrevendo em quadro em sala de aula • Freepik

Seis em cada dez estudantes concluem o ensino médio com nível de aprendizagem abaixo do básico em matemática, segundo levantamento do Todos Pela Educação divulgado nesta quinta-feira (20). O estudo analisou dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) entre 2005 e 2025 e identificou avanços na educação pública, mas também mostrou que o ritmo de melhora diminui conforme os alunos avançam nas etapas de ensino.

Os resultados indicam que os avanços mais expressivos ocorreram nos anos iniciais do ensino fundamental. No 5º ano, o percentual de estudantes com aprendizagem considerada adequada em língua portuguesa passou de 22,4% em 2005 para 60,7% em 2025. Em matemática, o índice subiu de 14,8% para 50,6% no mesmo período.

Apesar da melhora, a especialista Manoela Miranda, gerente de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, destaca que ainda existe uma parcela significativa de alunos nos níveis mais baixos de aprendizagem desde os primeiros anos escolares.

“Isso deve ser reconhecido. Por outro lado, nós vimos que o ritmo de avanço foi diferente entre as etapas e disciplinas”, afirmou.

Avanço diminui nos anos finais

Nos anos finais do ensino fundamental, o avanço foi considerado mais tímido. No 9º ano, a proporção de estudantes com nível adequado em língua portuguesa aumentou de 14,5% para 38,3% entre 2005 e 2025.

Em matemática, o crescimento foi ainda menor: passou de 7,9% para 18,8%, uma alta de 10,9 pontos percentuais em duas décadas.

Segundo Manoela, atualmente 30% dos estudantes concluem o ensino fundamental abaixo do nível básico em matemática.

“Nos anos finais do ensino fundamental, os avanços foram mais tímidos. Nós temos hoje 30% dos estudantes que concluem o ensino fundamental abaixo do básico em matemática”, explicou.

Ensino médio concentra cenário mais crítico

A situação se agrava no ensino médio. Em matemática, apenas 8,5% dos estudantes que concluem o 3º ano apresentam nível de aprendizagem considerado adequado. Em 2005, eram 5,2%.

Em língua portuguesa, o percentual de alunos no nível adequado mais que dobrou no período, passando de 15,7% para 35,2%.

Para Manoela, os resultados mostram que o país precisa acelerar os avanços, principalmente nas etapas finais da educação básica.

“Seis em cada 10 estudantes concluem o ensino médio com esse nível mais crítico de aprendizagem em matemática”, afirmou.

A especialista destaca que o objetivo estabelecido pelo novo Plano Nacional de Educação é eliminar, em dez anos, o número de estudantes classificados abaixo do nível básico.

“Não podemos aceitar que estudantes concluam a educação básica sem ter habilidades mínimas, fazer operações matemáticas básicas, inferir informações simples num texto, ou seja, habilidades mínimas para de fato viver e exercer a sua cidadania no Brasil”, disse.

Estados apresentam resultados diferentes

O levantamento também aponta diferenças importantes entre as redes públicas dos estados. Segundo o estudo, enquanto algumas regiões apresentam avanços consistentes, outras estão estagnadas ou até registram piora nos indicadores.

Entre os destaques positivos estão Paraná, Piauí, Goiás e Espírito Santo, que apresentam indicadores acima da média nacional.

No 5º ano do ensino fundamental, em 2025, os maiores percentuais de estudantes com aprendizagem adequada foram registrados no Paraná (76,3%), Ceará (72,1%) e Santa Catarina (69%).

Na outra ponta, os menores índices ficaram com Roraima (45,9%), Rio Grande do Norte (45,1%) e Sergipe (44,7%).

No 9º ano, Paraná (50,8%), Ceará (50,1%) e Goiás (48,8%) apresentaram os melhores resultados. Os menores percentuais foram registrados no Maranhão (25,2%), Bahia (24,8%) e Roraima (20%).

Desafio é levar avanço para todas as etapas

Para Manoela Miranda, o principal desafio agora é fazer com que os avanços observados nos primeiros anos do ensino fundamental também sejam alcançados nos anos finais e no ensino médio.

“Reduzir o abaixo do básico e em 10 anos não ter nenhum estudante nesse nível crítico deveria ser a nossa obsessão enquanto país”, afirmou.

Segundo ela, experiências de redes municipais e estaduais que conseguiram melhorar os indicadores podem servir de referência para outras regiões do país.

“A boa notícia é que nós temos bons exemplos de redes de ensino, então, estados, municípios que tiveram avanços consistentes e podem servir de inspiração para todo o país”, concluiu.

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