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Mesmo sob holofotes nacionais e em embate com o STF, Zema estaciona nas pesquisas

Ex-governador mineiro enfrente polarização cristalizada entre Lula e Flávio Bolsonaro e não vê números das intenções de voto crescerem

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Ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) tenta empreitada nacional nas eleições de 2026 • Dirceu Aurélio / Imprensa MG

A pesquisa feita pela Genial/Quaest e divulgada na última quarta-feira (10) mostrou o nome do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 2% das intenções de voto em um cenário estimulado de primeiro turno. O percentual indica que o pré-candidato não consegue uma variação além da margem de erro em todos os levantamentos feitos pelo instituto neste ano. Mesmo com a repercussão nacional das críticas feitas ao Supremo Tribunal Federal (STF), o mineiro enfrenta dificuldades em transformar o espaço midiático em votos e em furar a já cristalizada polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida pelo Palácio do Planalto.

 

Os 2% de intenções de voto para Zema na pesquisa realizada pela Quest em junho não são tão diferentes do constatado nos meses anteriores. Em maio, o índice era de 4%; em abril, de 3%; em março, também de 3%; e em fevereiro, de 4%. Todas as variações estão dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos estabelecida pelo instituto.

 

A estagnação de Zema no período é concomitante ao período de maior crise dentro da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, causada pelo vazamento de áudios do senador com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Entre maio e junho, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) viu Lula ampliar sua vantagem na liderança do cenário de primeiro turno de 7 para 10 pontos percentuais. 

 

Mesmo com os desafios de percurso de Flávio, Zema e outros opositores ferrenhos de Lula não conseguiram capitalizar eleitoralmente. Para o cientista político Adriano Cerqueira, professor do Ibmec e da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), é difícil escapar da disputa cristalizada entre o membro do clã Bolsonaro e o petista.

 

“Na minha avaliação do quadro atual, a polarização entre Jair Bolsonaro e Lula está formada. O grosso do eleitorado de oposição que tem em Jair Bolsonaro uma referência, eu calculo uns 33% do eleitorado que votam em Bolsonaro. Votaram no primeiro turno em 2018, votaram no primeiro turno em 2022. A maior parte desses 33% estão hoje com Flávio Bolsonaro, que ainda não é tão conhecido quanto o seu pai. E eu acho muito improvável que boa parte desse dos eleitores de Flávio o abandonem para outro candidato, a menos que o próprio Flávio Bolsonaro sinalize que não quer mais ser candidato e está apoiando outra pessoa. Qualquer outro candidato, seja Zema ou Ronaldo Caiado (PSD), vai ter muita dificuldade de conseguir tirar a liderança do Flávio Bolsonaro na oposição”, avalia.

 

Para o cientista político, Zema tem dificuldade em transformar até mesmo sua popularidade em Minas, onde foi reeleito governador no primeiro turno no último pleito, em votos. “Apesar de muitos eleitores terem gostado e avaliado positivamente a administração de Zema nos dois mandatos, boa parte deles votaram em Jair Bolsonaro e, até o momento, não estão dando nenhuma indicação de que vão alterar isso (a manutenção do voto na família Bolsonaro)”.

 

Em um cenário estimulado de segundo turno, o ex-governador mineiro também oscila apenas dentro da margem de erro na projeção de um embate com Lula. Entre fevereiro e maio, ele oscilou entre 32% e 37% das intenções de voto. Em junho, a marca foi de 35%. O petista oscilou entre 43% e 45%, sempre mantendo uma margem de ao menos 7 pontos percentuais de vantagem.

 

Ultrapassagem

 

No mais recente levantamento da Quaest, além de não ter experimentado qualquer aumento real nas intenções de voto, Zema também aparece atrás de outros nomes da direita. O mineiro está na sexta colocação atrás de Lula, com 39%; Flávio Bolsonaro, com 29%, Ronaldo Caiado (PSD), com 3%; e está empatado com Aécio Neves (PSDB), ex-governador de Minas que sequer se lançou como pré-candidato à presidência.

 

Para Adriano Cerqueira, além da polarização que cristaliza os nomes de Lula e Flávio Bolsonaro na liderança do pleito, Zema enfrenta um momento especialmente complexo na pré-campanha em relação à postura adotada no caso do filme Dark Horse, inspirado em Jair Bolsonaro e financiado por Daniel Vorcaro.

 

“Zema era muito próximo do eleitor de Bolsonaro, mas quando houve o vazamento dos áudios (de Flávio Bolsonaro e Vorcaro), ele imediatamente postou um vídeo cobrando explicações de uma forma dura. Isso caiu muito mal entre o eleitorado bolsonarista e Zema, ao perceber que não tinha crescido, teve que recuar, até porque o PL tem alguns diretórios em acordo com o Novo. [...] Eu acho que ele meio que perdeu momentaneamente o rumo da campanha”, destacou.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.