Lula promete retomada de territórios tomados por facções com integração entre as polícias
Candidato do PT pregou a redefinição do papel da União dentro da segurança pública nacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expôs alguns detalhes de sua proposta para o combate às facções criminosas no Brasil, com foco na retomada de territórios e asfixia financeira das organizações. As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, que foi ao ar neste domingo (27).
O atual presidente foi questionado sobre o aumento na quantidade de territórios dominados por facções criminosas nos últimos anos, e como fazer para que haja uma retomada e não um aumento constante desse dado. Lula responde citando a Constituição assinada em 1988, que retirou a responsabilidade da segurança pública da União e a transferiu para os estados da federação, por meio das polícias militar e civil. Por conta disso, a atuação do presidente sempre foi reduzida neste tema, cabendo ao Executivo intervir na segurança somente em casos federalizados ou à pedido de algum governador.
“Nós queremos redefinir o papel central do Governo Federal na segurança pública”, disse o candidato à reeleição. Ainda nesta fala, ele defendeu a atuação da Polícia Federal, chamando-a de “a melhor polícia do Brasil”, mas que ela precisa ser melhor utilizada neste enfrentamento às facções.
Por meio da PEC da segurança pública (PEC 18/2025), a Polícia Federal seria incluída na integração das polícias, contribuindo no serviço de inteligência, mesmo caso da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Esse movimento de reforço na inteligência vai mirar a asfixia econômica dessas organizações: “A gente quer atacar o andar de cima”, disse Lula ao fazer menção aos financiadores das organizações.
Outro ponto mencionado por Lula é o monitoramento de 138 presídios que comportam lideranças do crime organizado no país. Depois da aprovação da PEC no Congresso, esses presídios receberão recursos federais para que se transformem em presídios de segurança máxima, que evitam a comunicação do preso com a sociedade, algo citado pelo presidente como uma brecha que permite que os chefes das facções as comandem dentro das prisões.
O petista ainda fez menção ao movimento de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, de considerar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Lula disse que existe terrorismo dentro das comunidades, mas não no sentido político que o presidente americano tentou enquadrar.
Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou em assessoria de imprensa no Ministério Público do Trabalho de Minas Gerais (MPT-MG) e no setor de apuração da TV Alterosa. Cobre as eleições de 2026 para a Itatiaia.



