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Foco de Lula, estatísticas de abstenção entre os turnos trazem um indício positivo e outro negativo para campanha petista

Taxa de abstenção tradicionalmente aumenta no 2º turno, mas os índices apresentam redução desde 2010; por outro lado, recorde de governadores eleitos no 1º turno representa um desafio para levar eleitores às urnas na segunda votação

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Lula e as urnas: campanha petista foca em reduzir a abstenção, que bateu recorde no primeiro turno
Lula e as urnas: campanha petista foca em reduzir a abstenção, que bateu recorde no primeiro turno • Ricardo Stuckert

Em sua jornada pelo país buscando uma inédita virada na eleição presidencial entre os turnos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adapta seu discurso às especificidades regionais de cada cidade que visita, mas uma constante segue incólume: o ataque às abstenções. A campanha mira o eleitorado mais velho e de classes mais baixas, que, nas pesquisas e historicamente, tende a votar no atual candidato incumbente. O petista tem um trunfo: a abstenção entre os turnos tem caído desde 2010; mas enfrenta um desafio: o maior número de governadores eleitos no primeiro turno desde a redemocratização tende a puxar o número de não votantes para cima.

 

A abstenção entre os turnos das eleições gerais aumentou em seis de sete oportunidades desde a redemocratização. A única vez em que a taxa de presença nas urnas aumentou foi justamente em 2022, quando Lula apostou na estratégia de atacar abstenções na disputa acirrada contra o então presidente Jair Bolsonaro (PL). Mesmo com abstenções historicamente mais altas no segundo turno, o percentual vem caindo desde 2010.

 

Veja a variação da abstenção, em pontos percentuais (p.p.), ano após ano:

 

  • 1989: + 2,47
  • 1994: não houve 2º turno
  • 1998: não houve 2º turno
  • 2002: +2,73
  • 2006: +2,24
  • 2010: +3,38
  • 2014: +1,71
  • 2018: +0,98
  • 2022: -0,37

 

Em 2026, 33,4 milhões de eleitores aptos a votar não foram às urnas. O percentual de 21,08% é o mais alto da história para o primeiro turno das eleições gerais desde 1989, quando os brasileiros voltaram a escolher seu presidente após um intervalo de 29 anos dentro dos quais se deu a ditadura militar.

 

Estados sem votação para governador

 

A empreitada pela redução da abstenção tem nas eleições para os governos estaduais um importante obstáculo. Neste ano, 20 das 27 unidades federativas do país tiveram seus governadores eleitos já no primeiro turno, a maior taxa desde a redemocratização. Em média, estados que já elegeram seus chefes de Executivo registram um comparecimento menor de eleitores no segundo turno.

 

Em 2022, única vez em que a abstenção diminuiu entre os turnos, apenas 15 governadores foram eleitos no primeiro turno. Em 2018 e 2014, foram 13 governadores definidos na primeira votação.

 

Embora haja exceções, a taxa de abstenção em estados com governadores eleitos no primeiro turno é maior do que nos estados em que houve duas votações para definir os chefes dos executivos estaduais. 

 

Em 2022, por exemplo, houve variação positiva de 1,21 p.p. em estados com governadores definidos no primeiro turno, enquanto houve aumento de 0,09 p.p. no comparecimento em estados com segundo turno na disputa pelos governos locais.

 

Neste ano, colégios eleitorais importantes que deram vitória ao candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não terão segundo turno, como nos casos de Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. 

 

Por outro lado, Lula não teve palanque em estados que lhe renderam vitórias expressivas, como Ceará, Bahia, Maranhão, Pernambuco e Piauí.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

 

 

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