Campanhas de Lula e Flávio Bolsonaro assinam autorização para abertura de sigilos
Petistas afirmam que candidatura do PL resistiu à inclusão de companhia ligada ao advogado Willer Tomaz; divulgação dos documentos ainda depende de análise do ministro André Mendonça

As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) assinaram, nesta quinta-feira (22), documentos para autorizar a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos no âmbito do desafio lançado pelo presidente e aceito pelo seu advesário. O acordo foi fechado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após um impasse sobre a inclusão de uma empresa relacionada ao advogado Willer Tomaz, apontado como próximo de Flávio.
Em entrevista coletiva após a assinatura, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o coordenador da campanha petista, Camilo Santana, e o ministro Guilherme Boulos afirmaram que a equipe de Flávio resistiu à inclusão da empresa Alcazar Holdings, sediada na Ilha da Madeira, em Portugal. Segundo os petistas, a companhia foi retirada de uma manifestação anterior apresentada pela campanha do senador ao TSE.
A empresa entrou no centro da disputa depois de reportagens apontarem vínculos entre Flávio e Tomaz, que é sócio da companhia. Informações divulgadas pela imprensa com base em documentos obtidos pela Polícia Federal indicam que os dois compartilhavam uma conta bancária relacionada à empresa. Flávio e Tomaz negam irregularidades.
“Eles discordaram em relação a essa empresa”, afirmou Edinho Silva. Segundo o dirigente petista, a campanha de Lula condicionou o acordo à inclusão da companhia no compromisso de abertura dos sigilos. Ele disse que a equipe do senador acabou aceitando a exigência.
Campanha cobra divulgação antes do segundo turno
Edinho afirmou que a autorização assinada por Lula foi elaborada pelo próprio presidente e que o petista não impôs restrições à divulgação das informações. O dirigente defendeu que os dados sejam disponibilizados ao público antes do segundo turno, marcado para domingo (25).
“Não adianta também fazer nada para inglês ver. É importante que abra antes das eleições para que o povo brasileiro possa saber quem é quem”, declarou.
A campanha petista afirmou ainda que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), poderá requisitar informações relacionadas à empresa e às relações entre Tomaz e Flávio. A efetiva obtenção e divulgação dos dados, no entanto, depende dos procedimentos das autoridades competentes.
Documentos ainda precisam ser divulgados
A assinatura das autorizações não significa que os extratos bancários, as declarações fiscais e os registros telefônicos já estejam disponíveis ao público. Na coletiva anterior, a equipe de Flávio havia informado que Deltan Dallagnol, ex-procurador da República escolhido para examinar os documentos, verificaria primeiro se o material apresentado por Lula estava completo.
A campanha do senador condicionou a entrega dos próprios dados à conclusão dessa análise. Os representantes de Lula criticaram a demora e cobraram rapidez do Judiciário e do Ministério Público para que as informações possam ser consultadas antes da votação.
O desafio começou no debate da TV Band, no domingo (18), quando Lula propôs que os dois candidatos abrissem os próprios sigilos e os de familiares. Na terça-feira (20), o presidente apresentou uma autorização ao TSE. Flávio aceitou a proposta no dia seguinte, mas estabeleceu condições adicionais, entre elas a divulgação de informações sobre empresas e pessoas próximas aos candidatos.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.




