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Campanha de Flávio condiciona abertura de sigilo a análise de Dallagnol sobre dados de Lula

Deltan Dallagnol diz que vai analisar primeiro os documentos apresentados por Lula; advogada Maria Claudia Buchianeri condiciona entrega dos dados do senador à conclusão dessa verificação

Por e , Brasília
Deltan Dallagnol em entrevista coletiva na chegada ao TSE
Deltan Dallagnol em entrevista coletiva na chegada ao TSE • Reprodução

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nesta quinta-feira (22), sem apresentar os próprios documentos sob sigilo bancário, fiscal e telefônico, conforme o desafio proposto pela campanha petista. O ex-procurador da República Deltan Dallagnol, escalado para examinar os dados, afirmou que vai verificar primeiro se a documentação apresentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está completa. Só depois dessa análise a campanha do PL pretende entregar as próprias informações.

Durante entrevista coletiva na chegada ao tribunal, Dallagnol afirmou que pretende divididr seu trabalho em duas etapas. Na primeira, vai conferir se Lula apresentou todos os documentos previstos no acordo anunciado pelas campanhas. Na segunda, pretende examinar as informações em busca de possíveis indícios de enriquecimento e ocultação patrimonial envolvendo o presidente, familiares e pessoas próximas.

“Primeiro, se os documentos estão completos”, declarou o ex-procurador, ao explicar a metodologia que pretende adotar.

A campanha, no entanto, não apresentou nenhum dado em sigílo de Flávio Bolsonaro, conforme estipulado pelo desafio proposto pelo presidente Lula. Questionada pelos jornalistas sobre a ausência dos documentos, a advogada Maria Claudia Buchianeri afirmou que o material ainda seria apresentado e que a entrega ocorreria após a conferência da documentação de Lula.

“Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, afirmou a advogada. Em seguida, ao ser questionada novamente sobre a ausência dos dados do senador, ela confirmou que a campanha ainda não havia feito a entrega.

Buchianeri disse que, caso a equipe confirme que Lula apresentou tudo o que havia prometido, a campanha de Flávio fará a entrega imediatamente. Não foi apresentada, durante a coletiva, uma data ou um horário específico para a conclusão da análise e o protocolo dos documentos do senador.

Mais cedo, a campanha de Lula apresentou ao TSE a resposta formal ao desafio de Flávio Bolsonaro e confirmou que aceita todas as condições impostas pelo senador para a abertura dos sigilos. A comitiva contou com o coordenador da campanha, Camilo Santana (PT-CE), o ministro Guilherme Boulos, o presidente do PT, Edinho Silva e a deputada federal Camila Jara (PT-MS).

Disputa começou em debate

O impasse é mais um capítulo da disputa sobre a abertura dos sigilos dos dois candidatos à Presidência. O desafio começou no debate da TV Band, no domingo (18), quando Lula propôs que ambos autorizassem a divulgação de informações bancárias, fiscais e telefônicas próprias e de familiares.

Na terça-feira (20), o presidente protocolou no TSE uma autorização para a abertura dos próprios sigilos e dos de familiares, condicionada à adoção de medida equivalente por Flávio. No dia seguinte, o senador aceitou a proposta, mas apresentou quase 20 condições adicionais, incluindo informações sobre empresas e pessoas próximas a Lula, gastos com cartões corporativos da Presidência e dados relacionados à primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.

A campanha petista afirmou que aceitava todas as exigências e levou a resposta ao TSE nesta quinta-feira. Entre os dados solicitados por Flávio estão informações sobre o ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, além de registros relacionados ao Instituto Lula e a empresas ligadas a familiares do presidente.

Apesar da aceitação anunciada por Lula, a coletiva da campanha de Flávio não resultou na entrega simultânea dos documentos dos dois candidatos.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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