Flávio Bolsonaro terá 72h para apresentar ao TSE provas de uso de sindicatos em campanha de Lula
Relator do caso na Corte Eleitoral cobra detalhes sobre suposto uso de dinheiro e estruturas sindicais para favorecer a reeleição do presidente; na ação, a campanha do bolsonarista reuniu publicações, documentos e declarações, em que acusa a campanha adversária de usar as estruturas dessas instituições e pediu pela proibição até o fim do segundo turno

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou um prazo de 72 horas para a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) apresentar provas sobre supostos pagamentos e uso de estruturas sindicais em benefício da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ministro Ricardo Villas Bôas Cueva solicitou o detalhamento sobre a participação dos dirigentes sindicais apontados na ação e apresente elementos que sustentem as acusações. A decisão foi proferida na quinta-feira (15).
O ministro considerou as solicitações abrangentes e destacou que manifestações de apoio político não podem ser automaticamente classificadas como propaganda irregular ou financiamento ilícito de campanha. Segundo ele, é necessário apontar as condutas específicas atribuídas a cada investigado.
Flávio acusa sindicatos, entidades estudantis e movimentos sociais de utilizar recursos financeiros, sedes, funcionários e canais de comunicação para favorecer Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), além de promover manifestações contrárias à candidatura do PL. Segundo a acusação, essas práticas configurariam abuso de poder econômico e uso irregular de estruturas de entidades durante a disputa presidencial.
Na ação apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador pede a cassação dos registros ou diplomas de Lula e Alckmin, além da declaração de inelegibilidade por oito anos dos candidatos e dos dirigentes que tenham participado dos supostos abusos.
Um dos episódios apresentados como prova envolve uma declaração de Luis Allan Kunzle, diretor administrativo da Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR-SSind). Durante um evento, ele afirmou que o sindicato nacional estaria destinando dinheiro a comitês espalhados pelo país. A ação também cita a instalação de um comitê de apoio à reeleição de Lula na sede do Sindicato dos Trabalhadores dos Correios do Rio de Janeiro (SINTECT-RJ).
Ministro rejeitou parte dos pedidos
Na mesma decisão, Cueva negou, por enquanto, os pedidos para impedir de forma geral a utilização de estruturas sindicais, restringir a distribuição de materiais em universidades e bloquear repasses de recursos.
O corregedor também determinou que o sindicato dos Correios do Rio de Janeiro apresente esclarecimentos, em 24 horas, sobre o funcionamento do comitê pró-Lula instalado em sua sede. Somente após receber as informações, o ministro deverá analisar o pedido de desativação do espaço. A decisão não encerra a investigação sobre as acusações apresentadas pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



