Em MG, candidatos brancos já receberam quase 3 vezes mais verba partidária que mulheres negras
Homens brancos receberam, em média R$ 612,9 mil de seus partidos enquanto candidatas mulheres negras receberam R$ 224,3 mil

Com 25 dias de campanha eleitoral oficialmente nas ruas, os dados de repasse dos partidos a candidatos em Minas Gerais mostram uma enorme discrepância em relação aos recursos que as legendas despendem para afiliados homens brancos em comparação com mulheres negras. Números levantados pela Itatiaia até 10 de setembro mostram que, em média, um candidato branco já recebeu 2,7 vezes mais verba partidária que uma candidata preta ou parda.
Os números disponibilizados no Portal de Dados Abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e filtrados pela reportagem indicam que a média dos valores recebidos por um candidato branco em Minas é de R$ 612,9 mil, enquanto uma candidata negra recebeu, em média, R$ 224,3 mil.
Os números levam em consideração todos os candidatos registrados em Minas como postulantes a deputado estadual, deputado federal, senador e governador.
Os candidatos ao Governo de Minas ajudam a puxar a média dos homens brancos para cima. Seis dos 11 candidatos já receberam verbas partidárias nesta campanha, todos eles são homens brancos e, em média, tiveram investimentos de R$ 6 milhões em suas respectivas campanhas.
A discrepância do cenário mineiro é superior à observada considerando todos os candidatos registrados na Justiça Eleitoral do Brasil. No plano nacional, em média, homens brancos já receberam R$ 486,9 mil de seus partidos, enquanto mulheres negras receberam R$ 258,8 mil, cerca de 1,8 vezes menos.
Baixa representatividade
Embora a maioria dos brasileiros se declare como preta ou parda e as mulheres sejam a maioria da população, a representação política desses grupos é significativamente inferior ao apontado pelos dados demográficos.
Em 2022, foram eleitoras 91 deputadas para a Câmara dos Deputados, número que representa 17,7% das vagas da Casa.
Quando o recorte racial é inserido, o percentual cai para 5,7% das cadeiras ocupadas por mulheres negras, em que pese o fato de esse grupo representar 28% da população brasileira.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



