Eleições 2026: para professor da UFMG, mundo acompanhará como Brasil combaterá fake news

Professor do Departamento de Ciência Política da universidade mineira comentou a influência das big techs no cenário político internacional

Lucas Rezende, professor do Departamento de Ciência Política da UFMG, foi convidado do Dia a dia da política desta segunda-feira (19)

A pouco mais de um semestre das eleições gerais no Brasil, Lucas Rezende, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), acredita que os olhos do mundo estarão voltados para o pleito brasileiro para saber como a Justiça Eleitoral lidará com a ameaça do uso da inteligência artificial nas campanhas.

Em entrevista à colunista de política de Itatiaia, Bertha Maakaroun, o cientista político afirmou que acredita que o Brasil pode ser um bom exemplo no combate aos chamados deepfakes, conteúdos com desinformação tecnicamente bem-feitos com objetivo de enganar os eleitores

“Eu acho que o mundo inteiro vai estar olhando para a gente por causa disso. Se há um lugar que pode fazer isso, esse lugar é o Brasil. O Brasil tem um sistema de votação nacional muito bom. Talvez um dos mais avançados e seguros do mundo. Isso é comprovado em testes de todas as eleições, as urnas são sempre colocadas a teste. O sistema de votação brasileiro é seguro porque a gente tem a Justiça Eleitoral que funciona de maneira independente. Poucas coisas funcionam nesse país, mas a justiça eleitoral é uma delas”, destacou o professor na entrevista publicada nesta segunda-feira (19).

Rezende complementou afirmando que o caminho a ser seguido no Brasil já foi trilhado em iniciativas na Europa e mesmo nos Estados Unidos antes do segundo mandato de Donald Trump. Para o professor, é preciso acreditar e empoderar as instituições para combater o domínio das empresas gigantes do mundo da tecnologia em seu lobby por uma atuação desregulamentada.

“As instituições brasileiras estão preparadas, elas estão vendo o que que está acontecendo, estão com acesso à tecnologia. Mas é claro que as big techs, de alguma forma, vão tentar buscar de alguma maneira fazer esse controle.O Brasil já demonstrou isso, a União Europeia já demonstrou isso. Os próprios Estados Unidos, antes de Donald Trump, também. Então, a gente precisa mais do que nunca eh eh acreditar que as instituições funcionam e que é preciso empoderá-las para isso”, afirmou.

Veja a entrevista completa do Dia a dia da política

As big techs e o tecnofeudalismo

Para falar sobre o interesse político dos donos das gigantes da tecnologia, o professor da UFMG recorreu a um termo cunhado pelo economista e ex-ministro das Finanças da Grécia, Yanis Varoufakis, o tecnofeudalismo.

Rezende explica que diante da influência das redes sociais e plataformas de tecnologia sobre o debate político e as receitas exorbitantes das empresas, donos das big techs pleiteiam uma atuação transnacional sem respeito às instituições dos estados.

“Há dois grandes grupos hoje políticos que estão muito bem coordenados e orientados que buscam atacar a democracia liberal. De um lado são os neototalitários e de outro lado, são os os barões das big techs, numa construção que o que o Yannis Varoufakis vem chamando de tecnofeudalismo. É um distanciamento completo dessas pessoas das estruturas institucionais do Estado. São pessoas que acham que ficaram tão ricas que não precisam mais respeitar as leis de nenhum Estado. Por isso, as Big Techs atacam com tanta veemência quaisquer candidatos que busquem fortalecer as instituições em mecanismos de controle. Agora, mais do que nunca, a gente precisa confiar nas instituições da democracia liberal, nas instituições do Estado, fazer valer as instituições”, concluiu.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.
Jornalista, doutora em Ciência Política e pesquisadora

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