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Lula lidera seguidores nas redes e Flávio tem maior engajamento, mostra pesquisa

Lula tem mais seguidores, mas Flávio Bolsonaro lidera a mobilização nas redes sociais, mostra análise da consultoria Bites. Outros candidatos buscam espaço no cenário digital eleitoral.

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Lula e Flávio Bolsonaro
Lula e Flávio Bolsonaro • Ricardo Stuckert/PR | Edilson Rodrigues/Agência Senado

A disputa digital entre os presidenciáveis mostra movimentos distintos nas redes sociais, a exatos três meses das eleições gerais. Uma análise da consultoria Bites, feita a pedido da CNN, aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém a maior base de seguidores, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) se destaca na capacidade de mobilização do público nas plataformas.

Lula encerrou o mês de junho com 38,9 milhões de seguidores, consolidando-se com a maior audiência digital entre os pré-candidatos monitorados.

Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 21 milhões. No entanto, foi o candidato que mais ganhou seguidores em números absolutos no primeiro semestre deste ano, somando cerca de 5,6 milhões, o que representa uma alta de 36%. Lula, por sua vez, adicionou mais 1,8 milhão de seguidores no mesmo período, um crescimento de 5%.

Os dados consideram a soma de seguidores nas principais redes sociais dos presidenciáveis: Instagram, TikTok, Facebook, X e YouTube.

Os números refletem momentos distintos das duas principais forças políticas do país. Aos 80 anos, Lula lidera as pesquisas eleitorais de intenção de voto e se prepara para disputar um terceiro mandato no Palácio do Planalto.

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Flávio, por sua vez, busca se firmar como herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente está inelegível. O senador trabalha para estancar divergências internas e consolidar seu nome como candidato viável.

A vantagem de Flávio sobre Lula fica evidente quando o critério de avaliação muda do tamanho da audiência para a capacidade de mobilização.

A consultoria Bites também monitora a tração, um indicador que mede a repercussão gerada nas redes sociais. Nesse quesito, Flávio liderou em 21 das 26 semanas analisadas entre janeiro e junho. O senador foi superado apenas cinco vezes: três por Romeu Zema (Novo) e duas por Lula.

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O petista esteve à frente no início de janeiro, durante a repercussão do veto ao chamado PL da Dosimetria, e voltou a liderar entre o fim de maio e o início de junho, ao publicar um vídeo em defesa da soberania brasileira.

Zema, o pré-candidato mineiro, registrou os maiores picos de tração em março e no fim de abril. Nos dois momentos, ele intensificou as críticas a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por meio da série de publicações “Os Intocáveis”.

Além de Lula, Flávio e Zema, outros pré-candidatos buscam espaço nas redes para se viabilizarem na disputa de outubro. O primeiro turno está agendado para o dia 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 do mesmo mês.

Renan Santos (Missão) obteve o maior crescimento proporcional da base de seguidores, com uma alta de 430,7%, saltando de cerca de 537 mil para 2,8 milhões. Apesar de ser o maior avanço entre os pré-candidatos, ele partia de uma base muito menor e ainda possui menos seguidores que os adversários.

Entre os demais nomes, Romeu Zema ampliou sua base em 63,3%, o equivalente a cerca de 2,4 milhões de seguidores. Ronaldo Caiado (PSD) conquistou aproximadamente 795 mil seguidores no semestre, um crescimento de 20,1%.

Os demais presidenciáveis mantêm um desempenho mais discreto. Aldo Rebelo (DC) soma 347 mil seguidores e teve um crescimento de 31,2%, enquanto Augusto Cury (14,4 milhões) e Cabo Daciolo (2 milhões) começaram a ser monitorados pela Bites apenas após o lançamento de suas pré-candidaturas.

Especialistas alertam que o número de seguidores, por si só, não representa intenção de voto nem permite prever o resultado das urnas. As bases digitais refletem fatores como tempo de presença nas plataformas, estratégias de comunicação, impulsionamento de conteúdo e até a existência de contas inativas ou robôs.

Para o advogado especialista em direito eleitoral Newton Lins, os dados das redes sociais devem ser interpretados com cautela. "Seguidores e engajamento mostram a capacidade de comunicação e mobilização dos candidatos, mas são apenas um dos indicadores da disputa eleitoral", afirma.

Ainda na leitura de Lins, o levantamento é fundamental para traçar um panorama da disputa digital e entender como os principais presidenciáveis vêm construindo presença e alcance nas plataformas.

A importância desse ambiente não é novidade na política brasileira. Em 2018, com pouco tempo de propaganda eleitoral na televisão, Jair Bolsonaro transformou as redes sociais em sua principal arena de campanha e alcançou uma projeção inédita na política do Brasil.

O cenário de 2026 apresenta particularidades, mas a disputa pelo engajamento digital continua sendo uma peça-chave na construção das candidaturas, na montagem dos palanques e na tentativa de influenciar o eleitorado nos meses que antecedem a eleição.

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