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Dia das Crianças: o que Lula e Flávio Bolsonaro propõem para os filhos dos brasileiros?

A Itatiaia comparou os planos de governo de Lula e Flávio Bolsonaro para identificar o que os candidatos propõem para as crianças, com foco em educação, acesso a creches, saúde e proteção contra a violência, além de cobrar das campanhas detalhes sobre metas e execução das medidas

Por, Brasília
Flávio Bolsonaro em campanha no Rio, e Lula em São Paulo
Flávio Bolsonaro e Lula • Mauro Pimentel e Nelson Almeida / AFP

O presente que muitos pais e mães gostariam de dar aos filhos não cabe em uma caixa: é acesso a uma boa escola, atendimento de saúde quando necessário e segurança para crescer. Neste Dia das Crianças, essas expectativas também passam pelas escolhas políticas que podem definir o futuro do país. Mas o que Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, propõem para garantir os direitos das crianças e dos adolescentes brasileiros?

Uma análise do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) identificou 37 menções a crianças e adolescentes no plano de governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e 28 no documento de Flávio Bolsonaro (PL). Os programas dão pesos diferentes a temas como educação, saúde e proteção social e também apresentam abordagens distintas para enfrentar a violência contra essa população.

 

A reportagem enviou perguntas específicas às campanhas sobre as propostas para crianças e adolescentes, incluindo metas, financiamento e formas de execução. Até a publicação deste texto, não houve resposta. A comparação considera, portanto, os planos apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os levantamentos públicos disponíveis sobre o tema.

A diferença entre as duas candidaturas não significa que todas as políticas capazes de beneficiar crianças estejam contempladas nessa contagem. O levantamento considera menções explícitas nos documentos e analisa o conteúdo associado a elas, mas não mede integralmente o possível impacto de cada proposta sobre a infância.

Educação é o tema mais citado no plano de Bolsonaro

O plano de governo de Flávio Bolsonaro reúne 28 menções a crianças e adolescentes, segundo o levantamento do UNICEF. A educação é o tema mais recorrente, com 11 referências, seguida por violência e segurança pública, com sete.

A saúde aparece três vezes, enquanto o esporte é citado uma vez. Outras seis menções foram classificadas pela organização na categoria de outros direitos.

A principal bandeira defendida pelo candidato do PL é a criação de um voucher-creche: quando não houver vaga na rede pública, a família receberia um benefício para matricular a criança em uma instituição privada credenciada, até que surja uma vaga pública.

Apesar da presença da educação no documento, a análise qualitativa do UNICEF identificou maior ênfase em medidas de punição e resposta à violência. Entre os exemplos estão propostas relacionadas ao aumento de penas, à ampliação do policiamento e a mudanças no sistema socioeducativo - o candidato já defendeu abertamente a redução da maioridade penal que hoje é de 18 anos.

Segundo o UNICEF, os planos que defendem essa medida não apresentam evidências ou dados que demonstrem sua eficácia para reduzir a criminalidade.

Lula dá mais espaço à proteção social e à prevenção

No plano de governo de Lula, as 37 menções a crianças e adolescentes estão distribuídas principalmente entre violência e segurança pública, com dez referências; proteção social, também com dez; e saúde, com sete. A educação aparece seis vezes.

De acordo com a análise do UNICEF, o documento do presidente dá maior ênfase à prevenção da violência contra crianças e adolescentes. A organização destaca a importância de políticas que articulem diferentes áreas, como educação, assistência social e saúde, para evitar que as violações aconteçam.

Em seu plano de governo, Lula (PT) afirma que pretende lançar uma segunda edição do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com mais recursos para que governos locais avancem no cumprimento das metas do Plano Nacional de Educação (PNE). O documento também propõe ampliar o ensino em tempo integral, com recursos do Fundeb e do Novo PAC, e fortalecer medidas de apoio à formação de professores.

Violência contra crianças segue como desafio

A discussão sobre a infância no Brasil ocorre em um cenário em que 2.079 crianças e adolescentes foram mortos de forma violenta em 2025, uma média de quase seis por dia. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública deste ano.

No mesmo período, foram registrados mais de 38 mil casos de maus-tratos dentro de casa, aumento de 106% em relação a 2024. Também houve 61 mil registros de estupro e estupro de vulnerável. A maioria dos casos de violência sexual ocorreu no ambiente doméstico e foi praticada por alguém conhecido da vítima.

Diante desse cenário, o UNICEF defende que o enfrentamento da violência não se limite à investigação e à punição dos responsáveis. A organização recomenda fortalecer políticas de prevenção, apoiar as famílias e integrar ações de educação, saúde e assistência social.

A entidade também propõe a criação de uma Política Nacional de Prevenção de Violências contra Adolescentes, com atuação conjunta de diferentes áreas do poder público.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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