Crise do STF atinge mais Lula do que Flávio, com eleitor 'calcificado', diz diretor da Quaest
A conclusão é de Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, em entrevista exclusiva à Itatiaia veiculada nesta quinta-feira (10)

A crise que tem tomado conta do Supremo Tribunal Federal (STF) pode ser mais nociva para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que para o senador Flávio Bolsonaro (PL), ambos candidatos à Presidência da República nas eleições deste ano. A conclusão é de Guilherme Russo, diretor de inteligência da Quaest, em entrevista exclusiva à Itatiaia veiculada nesta quinta-feira (10). De acordo com ele, apesar de o tema ter ocupado os noticiários e de sua seriedade, ele ainda não tem cativado o eleitor, que estaria "perdido" no fogo cruzado entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
"Quando a gente olha para as pesquisas, o eleitorado ainda está muito perdido em relação a isso. Primeiro porque é confuso. A gente tem dois ministros do STF brigando, envolvendo a polícia etc. Mas a gente sabe, até mesmo por eventos passados, o que acontece um pouco esse eleitor Ele fica muito frustrado, ele fala que isso acontece meio que uma bagunça no país e isso tende a ser um pouco pior para o Lula como candidato, porque ele tinha uma ligação um pouco mais próxima com o Moraes do que obviamente o lado do Bolsonaro que tem uma, digamos, uma rixa, muito clara com os bolsonaristas", defende.
Apesar disso, o efeito contrário não tem acontecido, e não há benefícios imediatos para candidatos à direita, seja Flávio Bolsonaro, seja os da chamada "terceira via", como Renan Santos (Missão), Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). "A gente estima que para alguns uns qualitativos, para as redes sociais, que não deve ser tão grande esse movimento, mas a direção dele tende a ceder um pouco pior pro Lula, melhora pro Flávio ou os candidatos de terceira via ou ainda, esse branco, nulo e indeciso", avalia.
Calcificação das perspectivas eleitorais
Outro ponto apontado por Russo foi a cristalização de um cenário em que Lula e Flávio Bolsonaro disputam o segundo turno, conforme as pesquisas conduzidas pelo instituto. Essa calcificação se reflete na grande dificuldade que os candidatos têm de furar as suas próprias bolhas de eleitores, as quais já estão muito consolidadas e se assemelham ao cenário de 2022.
"Essa é uma tônica também que a gente deve acompanhar até o final da campanha, essa dificuldade, essa calcificação da do eleitorado, que é uma polarização até mais avançada, que se cristaliza, se calcifica. É, então essa é o principal, digamos, tom dessa campanha", pontua o cientista político.
O que pode mudar o comportamento do eleitorado, por outro lado, é o eleitor independente, mais próximo ao centro político, de acordo com Russo. "É o eleitor que votou para o Bolsonaro em 2018, votou para o Lula em 2022, agora também está receoso, não sabe para onde vai. É um grupo muito menor do eleitorado, mas que ainda está para jogo e onde os candidatos devem fazer campanha para buscar esse eleitor mais de meio, mais indeciso ou independente, a gente usa esses dois termos para classificar esse eleitorado, mas, enfim, as bolhas, elas estão muito consolidadas, não deve ter novidades daqui até a eleição", finaliza.
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.




