Belo Horizonte
Itatiaia

Conheça a carreira política de Magno Malta, pré-candidato ao Governo do ES

Magno Malta avalia disputar o Governo do Espírito Santo pela primeira vez após mais de duas décadas de atuação no Senado Federal

Por
Magno Malta
Senador é pressionado pelo PL a liderar um palanque próprio para Flávio Bolsonaro no Espírito Santo • Jefferson Rudy/Agência Senado

Depois de quatro mandatos no Senado e três décadas de vida pública, Magno Malta (PL) pode disputar pela primeira vez o governo do Espírito Santo em 2026.

A decisão depende da estratégia nacional do Partido Liberal (PL), que pressiona por candidatos próprios ao governo em todos os estados. Isso para garantir palanque exclusivo para Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial. Em caso de derrota, Malta não perderia nada, já seu mandato de senador vai até 2031.

Natural da Bahia, foi no Espírito Santo que o pré-candidato construiu sua vida política. Vindo de uma família evangélica, Magno Malta é pastor e tem a fé como fio condutor de sua atuação pública.

Ao longo da carreira política, o pré-candidato teve diferentes filiações. Começou a trajetória em 1993, iniciando seu mandato como vereador de Cachoeiro de Itapemirim, pelo antigo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). No ano seguinte, já foi eleito pelo mesmo partido como deputado estadual.

No início dos anos 2000, Magno migrou para o Partido Liberal (PL), legenda pela qual ainda é filiado e foi eleito senador três vezes. Atualmente, o grupo é identificado com o campo conservador e o bolsonarismo. Foi o único dos grandes nomes capixabas a não se reeleger ao Senado nas eleições de 2018, mas retornou 4 anos depois, em 2022, eleito com 832.942 votos.

Relação com campos políticos opostos

Magno Malta veio a ser, ao longo da sua carreira, cabo eleitoral tanto do presidente Lula (PT) quanto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), duas lideranças que hoje ocupam polos opostos da política nacional. Mas, atualmente, sua posição é firmada com o campo bolsonarista, presidindo o PL no Espírito Santo e sendo um dos senadores mais críticos ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao governo Lula.

No Senado, ficou conhecido por sua atuação em pautas ligadas ao combate à pedofilia, chegando a presidir a CPI da Pedofilia, instalada em 2008, e à defesa dos direitos da família sob uma perspectiva cristã conservadora. Escreveu dois livros, “E agora doutor?” e “Deus tem um trato comigo”, ambos de 2002.

Por que Magno Malta pode disputar o governo

A possibilidade de Malta disputar o governo capixaba surgiu no rastro da estratégia nacional de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026, que quer candidatos específicos do PL ao governo em todos os estados, sem compartilhar palanque com nomes do PSD ou de outras legendas de centro-direita.

No Espírito Santo, isso significou recuar nas negociações com Lorenzo Pazolini (Republicanos) e pressionar pela candidatura do senador ao Palácio Anchieta. Magno Malta confirmou que a possibilidade existe, de fato, e está aberto a negociações.

A chapa que o PL estuda montar seria completa. Malta ao governo, e sua filha Maguinha Malta, filiada ao PL desde 2011, ao Senado. É a primeira eleição de Maguinha, que entra na disputa carregando o sobrenome do pai como principal ativo.

Cenário eleitoral do Espírito Santo em 2026

Nas pesquisas, Malta aparece com cerca de 9% a 13% das intenções de voto para o governo, bem atrás de Pazolini (35% a 37%) e de Ricardo Ferraço (29% a 31%). O risco apontado por analistas é justamente a fragmentação do voto da direita.

Com Malta e Pazolini na mesma disputa, o campo conservador pode perder votos suficientes para permitir uma virada de Ferraço, o candidato da situação apoiado pelo ex-governador Renato Casagrande (PSB).

É esse cálculo que ainda mantém a decisão em aberto e que pode definir, nas semanas que antecedem as convenções partidárias, se o pastor da Bahia entra ou não na maior disputa de sua vida política.

Por

Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.