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Conheça a carreira política de Lourdes Melo, pré-candidata ao Governo do Piauí

Dirigente do PCO acumula mais de três décadas de participação em eleições no estado e tentou 5 vezes o Governo do Piauí

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Lourdes é professora aposentada, sindicalista e pré-candidata ao Governo do Piauí pelo Partido da Causa Operária • Reprodução/Rede Social Lourdes Melo

Pela sexta vez, a professora aposentada e militante sindical Lourdes Melo (PCO), tenta uma vaga pelo Governo do Piauí nas eleições de 2026. Segundo a pré-candidata, o Partido da Causa Operária (PCO) pretende lançar uma chapa própria no estado, mas os nomes para os demais cargos ainda estão em discussão.

Natural de Pedreiras, no Maranhão, Lourdes se estabeleceu em Teresina e atuou como professora das redes estadual e municipal. Se aposentou do serviço público municipal, mas permaneceu ligada às mobilizações da categoria e à oposição sindical na educação.

A pré-candidata participou de mobilizações por reajustes salariais, cumprimento dos direitos trabalhistas e melhoria das condições das escolas públicas. Lourdes integra o movimento Educadores em Luta, corrente de oposição à direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica Pública do Piauí, o Sinte-PI. Também participa do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo, ligado às pautas feministas e socialistas defendidas pelo PCO.

Sua trajetória partidária foi iniciada no Partido dos Trabalhadores (PT). A primeira candidatura ocorreu em 1992, quando disputou uma vaga de vereadora de Teresina pelo PT e ficou na suplência. Posteriormente, deixou a legenda e ingressou no Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Em 2002, concorreu ao cargo de vice-governadora do Piauí em uma chapa do PSTU. Depois da passagem pela legenda, Lourdes se filiou ao PCO.

A pré-candidata disputou uma vaga pelo Governo do Piauí em 2006, 2010, 2014 e 2018. Não foi eleita em nenhuma das ocasiões e voltou a tentar concorrer ao governo estadual em 2022. A candidatura, porém, foi indeferida pelo Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI). 

A decisão ocorreu porque o PCO apresentou fora do prazo a substituição do candidato a vice-governador. O Ministério Público Eleitoral opinou pelo indeferimento da chapa, entendimento acolhido por unanimidade pelo tribunal. Os votos atribuídos a Lourdes não foram considerados válidos para o resultado da eleição.

Além das candidaturas estaduais, Lourdes participou de diferentes eleições municipais na capital piauiense. Ela concorreu à Prefeitura de Teresina em 2008 e 2016. Também integrou uma chapa como candidata a vice-prefeita em 2012.

Em 2020, tentou novamente disputar a prefeitura, mas teve a candidatura indeferida. Quatro anos depois, voltou à eleição municipal e concorreu ao Executivo da capital pelo PCO. Apesar das sucessivas participações em eleições, Lourdes nunca exerceu mandato eletivo.

Por que continua se candidatando

Lourdes reconhece que o PCO enfrenta dificuldades para percorrer os 224 municípios piauienses e disputar em igualdade de condições com partidos maiores. Segundo ela, a legenda não conta com a mesma estrutura financeira, partidária e de comunicação dos principais concorrentes.

As candidaturas, de acordo com a pré-candidata, são utilizadas como oportunidade para apresentar o programa socialista do partido, divulgar as reivindicações dos trabalhadores e ampliar a presença do PCO no debate público.

Ela reconhece que não considera provável uma vitória, mas sustentou que a participação eleitoral permite defender as ideias da legenda.

Propostas de Lourdes ao Piauí

A educação é uma das principais bandeiras de Lourdes, que defende aumento salarial, respeito aos planos de carreira e melhoria da estrutura das escolas públicas.  Ela critica a diferença entre as condições encontradas na rede pública e as instituições privadas de ensino. Para Lourdes, os resultados divulgados pelo governo não eliminam problemas como baixos salários, precariedade estrutural e dificuldades enfrentadas por professores e estudantes.

Também cita o cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos sobre o salário mínimo necessário para sustentar uma família. 

A pré-candidata quer a ampliação do atendimento público e critica a necessidade de moradores pagarem consultas e exames que deveriam ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde. Ela relata dificuldades pessoais para realizar exames básicos e encontrar atendimento médico. Segundo a pré-candidata, a população do interior também precisa se deslocar até Teresina para buscar procedimentos que não estão disponíveis nos municípios de origem.

Para ela, a expansão do atendimento privado transforma a saúde em mercadoria e aprofunda as desigualdades entre quem pode ou não pagar por consultas e tratamentos.

Lourdes critica o modelo de segurança baseado principalmente na repressão policial. A professora afirma que as forças de segurança não protegem de maneira igual os trabalhadores e os grupos mais pobres e que a polícia esteja voltada à proteção da classe trabalhadora e das comunidades rurais. Também apresentou a organização popular e a autodefesa dos trabalhadores como elementos do programa político do PCO.

No campo, a pré-candidata apoia a reforma agrária e sustenta que a terra deve atender prioritariamente aos trabalhadores que produzem nela, e não aos interesses dos grandes proprietários e do agronegócio.

Está pesente em movimentos de defesa dos direitos das mulheres e relaciona a autonomia feminina à garantia de salário, emprego, moradia, saúde e acesso aos serviços públicos. Defende também o direito de mulheres trans utilizarem banheiros femininos e se posicionou contra medidas que, em sua avaliação, discriminam essa população.

Lourdes se define como socialista e afirma que as eleições, isoladamente, não seriam suficientes para transformar a estrutura econômica e política do país. O PCO propõe um governo dos trabalhadores, sem a participação de grandes empresários, banqueiros e representantes do mercado financeiro. A legenda defende uma ruptura com o capitalismo por meio da mobilização e da organização popular.

Nas eleições presidenciais, Lourdes afirmou que a legenda pretende apresentar candidatura própria no primeiro turno. Ela reconheceu a trajetória sindical de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas ressaltou que o partido mantém diferenças políticas e programáticas em relação ao PT.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

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