'Até Trump quer conversar com Lula, menos Zema', diz presidente do PT de BH
Guima Jardim critica falta de diálogo do governo mineiro com o Planalto, fala em “apagão político” no estado e diz que Minas precisa recuperar protagonismo nacional

“Todos os presidentes do planeta Terra querem conversar com Lula. Até o Donald Trump quer conversar com Lula. Menos o Zema.” A provocação foi feita nesta quarta-feira (19) pelo presidente do PT de Belo Horizonte e candidato a deputado estadual, Guima Jardim, durante coletiva de imprensa na capital mineira.
Ao comentar o cenário eleitoral em Minas Gerais, o dirigente petista fez duras críticas ao ex-governandor e candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), e ao candidato do PSD ao governo estadual, Mateus Simões, além de ter acusado a atual gestão de ter isolado Minas do governo federal.
Guima aponta que a falta de interlocução com o presidente da República teria contribuído para o que chamou de um “apagão político” de Minas Gerais nos últimos anos. Para ele, o estado perdeu espaço nas discussões nacionais apesar de sua importância econômica e estratégica.
“Minas não tem relação nenhuma com a direção do Brasil, com os rumos, com as ideias de futuro do Brasil. Não tem protagonismo nenhum”, disse Guima.
O presidente municipal do PT também questionou a postura do governo mineiro diante da dívida estadual. Durante a coletiva, declarou que o débito teria passado de R$ 70 bilhões para R$ 224 bilhões durante as gestões do Novo e usou o tema para reforçar as críticas à falta de diálogo com Brasília.
“Como é que você não conversa com quem você deve? Se você estiver devendo em qualquer loja, você vai lá conversar com o gerente, vai lá conversar no crediário. Só o governo de Minas que se fecha, tampa os ouvidos, não quer diálogo com o presidente da República”, declarou.
Na sequência, Guima argumentou que a relação institucional deveria ocorrer independentemente de divergências políticas ou ideológicas. “Não é com o Lula, pessoa física. É com o presidente da República.” A ausência dessa interlocução, em sua avaliação, “prejudicou muito Minas Gerais” e teria deixado o estado “estacionado” durante as administrações de Zema e Simões.
“Como assim eu sou um bom gestor e triplico a dívida?”
O petista também atacou um dos principais discursos políticos associados ao Novo: o de eficiência na gestão pública.
“Como assim eu sou um bom gestor e triplico a dívida? Como assim eu sou um bom gestor e não criei nenhum investimento que faça com que o estado sinta orgulho no industrialismo?”, questionou.
Guima defendeu que Minas aproveite melhor sua disponibilidade de recursos minerais para ampliar a industrialização e gerar empregos de maior qualidade. Ele citou minério de ferro, bauxita, ouro, nióbio e terras raras e argumentou que o estado ainda concentra sua economia na comercialização de matérias-primas, em vez de produtos de maior valor agregado.
Na avaliação do dirigente petista, Minas precisa iniciar um “novo ciclo de desenvolvimento” e recuperar a influência que já exerceu na política brasileira. “Aqui é Minas de JK, Minas de Tancredo. E agora Minas não tem relação nenhuma com a direção do Brasil”, afirmou.
Disputa pelo governo de Minas
As declarações ocorreram durante uma coletiva convocada pelo PT às vésperas da passagem do presidente Lula por Belo Horizonte. Na conversa, Guima defendeu a candidatura de Patrus Ananias ao governo estadual e disse que uma eventual gestão petista buscaria ampliar a interlocução entre Minas e o governo federal.
O dirigente também elevou o tom ao falar sobre Zema e Mateus Simões. Segundo ele, o estado viveu um período de perda de representatividade política.
“Minas Gerais teve um apagão de representatividade e fez com que Zema e Mateus Simões chegassem ao poder, mas que, já já, da mesma forma que apareceram, vão sumir, que o eleitor vai dar um basta em tudo isso”, declarou.
A coletiva também tratou da participação de Lula na campanha mineira. O presidente deverá dividir o palco com Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas Gerais, e as candidatas ao Senado Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL). Guima afirmou ainda que dirigentes nacionais do PT e integrantes do governo federal são esperados em Belo Horizonte, embora a lista de participantes não estivesse fechada até a coletiva.
Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.



