Duda Salabert diz que partidos não apoiam sua candidatura por preconceito
Candidata reforçou seu compromisso com a saúde fiscal e a necessidade de rever dívidas de comerciantes

Empatada em segundo lugar com outros candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte, a deputada federal Duda Salabert (PDT) disse nesta terça-feira (3) que não recebeu apoio de outros partidos na corrida eleitoral por preconceito. Em sabatina da CNN, a pedetista foi questionada sobre a dificuldade da esquerda em chegar ao segundo turno em BH e a divisão de votos do campo progressista com Rogerio Correia, candidato do PT nas eleições. De acordo com a candidata, há um preconceito na política brasileira que a impede de receber apoio, apesar dos suas expressivas votações nas últimas eleições, tanto para a Câmara de BH, em 2020, como para a Câmara dos Deputados, dois anos depois.
Duda afirmou que o cenário atual seria um reflexo da política "arcaica" da cidade e que os partidos e candidatos não a apoiam por preconceito, já que é uma pessoa trans. Segundo ela, sua candidatura é uma candidatura de denúncia.
Qual candidatura, no Brasil, com percentual de votos que nós temos, com a trajetória de votação que nós tivemos nas últimas duas eleições, com o que as duas últimas grandes pesquisas estão mostrando, está sozinha sem nenhum partido apoiando? Isso não existe
Segundo a deputada federal, esse é um dos motivos que a sociedade não se vê mais representada na política, pois "a sociedade tem um ritmo muito mais fluído, enquanto a política está estagnada em velhos preconceitos".
Candidatura Identitária
Duda Salabert aproveitou para falar da população trans e sua trajetória de superação. Apesar disso, a candidata reforçou que está na política para discutir as questões de Belo Horizonte e não pautas identitárias. “Primeiro a fome, depois a moral”, disse em menção ao poeta alemão Bertold Brecht.
“Toda minha história foi superando as estatísticas. 90% das minhas companheiras estão na prostituição porque foram expulsas do mercado de trabalho. Setores da sociedade, sobretudo da ultradireita, tentaram criar uma caricatura sobre nós, de que nós somos uma candidatura identitária. Eu não sou uma candidatura identitária”, reforçou a candidata.
“Eu não fui eleita para discutir se o correto é obrigade, obrigado ou obrigada. Eu fui eleita para discutir questões importantes para a sociedade”, concluiu.
Saúde Financeira e Fiscal de BH
Quando questionada sobre a questão orçamentária de Belo Horizonte para viabilizar suas propostas, Duda afirmou que todo seu plano foi feito a partir de um estudo econômico e trouxe de exemplo a política de dignidade menstrual do município
"Lembro que setores da ultradireita criticavam que "dinheiro não dá em árvore" e eu mostrei que, do ponto de vista orçamentário, distribuir absorvente nas escolas de Belo Horizonte teria um impacto em 0,01% no orçamento em educação. Então, todas as propostas que nós construímos é a partir do debate econômico, porque nós entendemos a importância da saúde fiscal do município" .
Duda falou ainda da necessidade de rever a dívida de comerciantes. Segundo ela, “30% dos comerciantes hoje têm alguma dívida com o município e a quantidade de bares e restaurantes que estão fechando é alta"
"A dívida, pra prefeitura, não impactaria tanto o orçamento do município, mas o comércio aberto impactaria. Por isso nós vamos fazer um Refiz, para que esses comerciantes tenham mais poder de investimento”, concluiu.
Mestrando em Comunicação Social na UFMG, é graduado em Jornalismo pela mesma Universidade. Na Itatiaia, é repórter de Cidades, Brasil e Mundo



