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Deputado pede que Governo de Minas divulgue renúncias fiscais concedidas a empresas de Vorcaro

Pedidos apresentados pelo deputado Professor Cleiton (PV) na Assembleia pedem a abertura dos dados de regime especial de tributação

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Daniel Vorcaro, do Banco Master
Daniel Vorcaro, do Banco Master • Reprodução

O deputado estadual Professor Cleiton (PV-MG) protocolou uma solicitação e um pedido de providências endereçado ao Governo de Minas Gerais para dar transparência à concessão de regimes especiais de tributação e isenções fiscais para empresas de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sediadas no estado. Os documentos foram apresentados nesta sexta-feira (22) na Comissão de Administração Pública da Assembleia Legislativa (ALMG) e pedem o acionamento da Secretaria de Estado de Fazenda e do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG).

O parlamentar solicita que a Secretária de Fazenda forneça detalhes minuciosos sobre eventuais regimes especiais e isenções concedidas às empresas Asset Energy Holding LTDA, Infrasolar Holding LTDA, Green Investimentos SA, Green Energy e GE Energia Renovável LTDA. O deputado exige o envio de cópias de contratos, processos e atos administrativos que justifiquem tais benefícios, além da divulgação dos valores financeiros envolvidos.

A investigação proposta por Professor Cleiton estende-se a todas as empresas que possuam como sócios Felipe Vorcaro, Henrique Vorcaro e Daniel Vorcaro.

No requerimento direcionado ao TCE o deputado solicita ao tribunal a apuração de possíveis irregularidades nos benefícios tributários usufruídos por empresas ligadas aos três sócios da família Vorcaro. O ponto central deste pedido de providências é a demanda pelo cruzamento de dados entre os beneficiários das isenções e os doadores de campanha para o governador Romeu Zema, o vice-governador Mateus Simões, e os partidos Novo e PSD.

A renúncia fiscal total no Governo Zema saltou de R$ 6 bilhões em 2019 para R$22,4 bilhões em 2025. Aumentando ano a ano, a soma dos valores que o estado deixou de arrecadar entre 2019 e 2026 chega a R$ 129,6 bilhões.

O regime especial de tributação é um benefício fiscal concedido a empresas como forma de atrair investimentos. Ao oferecer uma carga menor de impostos, um estado pode tentar se sobressair em relação a outros para garantir a instalação de empresas em seu território.

O caso Master

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por uma crise de liquidez no retorno dos investimentos feitos na instituição. O BC entendeu que houve violações às normas do Sistema Financeiro Nacional na forma como a empresa de Vorcaro atuava no mercado.

Concomitante ao processo de liquidação, a Polícia Federal deflagrou a Operação Compliance Zero para investigar fraudes bancárias e emissão de títulos falsos ou sem liquidez. As ações de investigação e a análise do caso no Supremo Tribunal Federal desenrolaram uma série de desdobramentos políticos

Com um modelo de negócios baseado na venda de títulos de renda fixa com muito retorno aos investidores mas com baixíssima liquidez, a liquidação do Banco Master renderá ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) seu maior rombo na história.

Os meses que antecederam a liquidação do Master foram marcados pela ação do BC para impedir a venda da instituição para o Banco de Brasília (BRB) e, posteriormente, para a Fictor. Ambas as transações foram avaliadas como formas de resgatar a empresa de Vorcaro.

Todo o imbróglio é permeado por suspeitas de alinhamento de Vorcaro e seus sócios com autoridades de alto escalão nos três poderes da República. As informações sobre a ação de grupos com ataques cibernéticos e ameaças físicas amplia o leque de crimes relacionados ao banco.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.