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Deputado critica Core/MG, e secretário de Saúde rebate: ‘Quem nega vaga é o hospital’

Novo sistema de regulação dos hospitais de Minas Gerais foi alvo de polêmica na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (23)

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Secretário de Saúde, Fábio Baccheretti foi à ALMG nesta terça-feira (23) • Daniel Protzner/ALMG

A Central de Operações para Regulação Estadual (Core/MG) foi alvo de polêmica na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) nesta terça-feira (23). Durante audiência na Comissão de Saúde, o deputado Lucas Lasmar (Rede) fez duras críticas ao novo sistema de regulação de leitos e vagas em hospitais do estado.

“Inconsistências graves, de não conseguir achar o paciente de onde ele está, dificuldade de transferências hospitalares, e ele focando em números. Nós estamos focando em vida. Nós recebemos denúncias dos secretários municipais de Saúde, dos prefeitos (...) Pessoas morrendo, sendo transferidas a 300 quilômetros de distância, fora de referência. Temos pessoas que morreram devido a regulações erradas”, afirmou o parlamentar, em entrevista à imprensa.

O Core/MG foi instaurado pela Secretaria de Estado de Saúde em maio deste ano. O sistema substitui o SUSFácil, um software cujo intuito era agilizar a troca de informações entre as unidades administrativas e executoras dos serviços de saúde de Minas Gerais.

Presente na audiência na ALMG, o secretário de Saúde, Fábio Baccheretti, rebateu as falas de Lasmar e apontou que o Core/MG representa uma evolução em relação ao antigo sistema.

“O Core já tem indicadores claros que ele é melhor. O Core permite, por exemplo, colocar resultados de exames, o que o sistema anterior não tinha. O sistema anterior tinha mais de 20 anos. Hoje, se cada um vai em um pronto atendimento, tem classificado o risco. A fitinha verde, amarela, laranja. E o Core tem isso agora. Significa que o médico regulador consegue ver primeiro o caso mais grave para salvar vidas. É o nosso papel de regulação”, destacou.

‘Hospitais negam vaga’

O secretário também fez uma denúncia em relação aos hospitais mineiros. De acordo com o gestor, algumas unidades de saúde têm negado vagas a pacientes mesmo com leitos disponíveis.

“Quem nega leito não é o Core, quem nega vaga não é o Core. Quem nega vaga é o hospital. Então estamos agora vendo os hospitais que negam sem justificativa leito, para que a gente comece a descontar recursos e obrigue eles a atender melhor a população. Porque por mais que tenhamos pacientes aguardando leito nesse momento, não temos 100% de ocupação nos hospitais do estado. É um contrassenso. Isso significa que os hospitais não estão abrindo os leitos para a regulação”, disse.

Números do governo do estado

Segundo dados divulgados pelo governo na última sexta-feira (19), o Core/MG já acompanhou e regulou a internação de mais de 120 mil pessoas desde que começou a funcionar. O número de solicitações no sistema, ainda de acordo com o estado, passou de uma média diária de 2.500 para cerca de 4.500.

"Outro resultado observado foi a queda de 36% no número de óbitos, em comparação com o intervalo equivalente do ano anterior, quando a regulação ainda era realizada pelo SUSfácil", diz a nota da Secretaria de Saúde.

Decisão judicial

No dia 22 de maio, a 2ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte chegou a suspender o funcionamento do Core devido a problemas apresentados pelo sistema.

Essa decisão foi revogada seis dias depois pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

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Nuno Krause é repórter de política da Rádio Itatiaia. Antes, ficou dois anos no portal Itatiaia Esporte. Formado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), acumula passagens também por Bahia Notícias, Jornal A TARDE e Rádio Salvador FM.