Comissão da Câmara inicia debate sobre fim da escala 6x1 e vota plano de trabalho
Relator quer aprovar texto ainda em maio; impasse sobre transição e compensações trava consenso

Com promessa de mexer diretamente na rotina de milhões de brasileiros, a Câmara dos Deputados dá nesta terça-feira (5) o pontapé inicial na discussão sobre o fim da escala 6x1. A comissão especial criada para analisar a proposta faz sua primeira reunião, com a apresentação do plano de trabalho do relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), e a votação dos primeiros requerimentos.
Na prática, os deputados vão definir como será o andamento dos debates - incluindo quem será ouvido nas audiências públicas. Estão na lista trabalhadores, representantes sindicais e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Também há previsão de encontros fora de Brasília, em diferentes estados, sempre às quintas-feiras.
A ideia é acelerar. Prates quer votar o parecer nos dias 25 ou 26 de maio. Para isso, a comissão deve ter mais de uma reunião por semana. No plenário, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já organizou sessões para cumprir o prazo mínimo exigido antes da apresentação do relatório.
O texto que sairá da comissão ainda está em construção e deve unir duas propostas já aprovadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A primeira, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), reduz a jornada para 36 horas semanais, com implementação gradual. A segunda, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), vai além: propõe uma semana de quatro dias de trabalho e três de descanso, além de extinguir de vez a escala 6x1.
Onde está o impasse?
O principal nó está no tempo de transição. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quer que a mudança seja rápida, com aplicação imediata ou em poucos meses. Do outro lado, empresários e parte da oposição defendem um prazo mais longo, que pode chegar a dez anos, para adaptação.
Outro ponto de pressão vem do setor produtivo e sindicatos patronais, que pede compensações, como redução de impostos e a desoneração da folha de pagamentos, para bancar possíveis aumentos de custos. Sem isso, empresários dizem que os preços podem subir.
Se avançar, a proposta ainda precisa passar por dois turnos de votação no plenário da Câmara antes de seguir para o Senado. Até agora, não há sinalização de resistência forte entre os senadores.
A mudança pode atingir cerca de 37 milhões de trabalhadores - e promete seguir no centro do debate político nos próximos meses.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



