Com ‘pautas-bomba’ na mesa, Lula e Trump se encontram nesta quinta-feira (7) nos EUA
Combate ao crime organizado, exploração de minerais críticos e ruídos entre os dois países são temas que devem ser discutidos na reunião entre os chefes de Estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu homólogo norte-americano, Donald Trump, ficarão novamente frente a frente nesta quinta-feira (7). O encontro, que ocorreria em março, mas foi protelado devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã, terá na pauta o tarifaço promovido pelo governo americano, o combate ao crime organizado – inclusive com a possibilidade de classificação de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas – e exploração de minerais críticos, tema que vem ganhando relevância nos últimos anos.
Lula, que desembarcou na noite de quarta-feira (6) na base aérea de Andrews, em Washington, deve buscar reduzir ruídos na relação entre o Brasil e os Estados Unidos, abrindo diálogo e fazendo certas concessões ao presidente americano. A expectativa é que o chefe de Estado brasileiro retorne ao Brasil na sexta-feira (8).
O último encontro entre Trump e Lula ocorreu em outubro de 2025, na Malásia, durante um fórum internacional. À época, a avaliação da diplomacia brasileira foi de que a balança foi positiva para a gestão petista. Pouco antes, os homólogos se encontraram em Nova York, durante agenda da Organização das Nações Unidas (ONU), quando Trump chegou a dizer que ele e Lula tinham uma “química excelente”.
Ruídos entre os EUA e o Brasil
Entre os rumores que devem ser combatidos, está principalmente a discussão sobre o crime organizado. O governo Trump tem designado grupos criminosos de diferentes países da América Latina como organizações terroristas para combater o tráfico, mas a Casa Branca não se posicionou oficialmente sobre facções brasileiras. Segundo uma apuração do jornal The New York Times, a medida estaria sendo estudada e poderia incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV).
No início de março, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comunicou ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, que Washington planejava incluir as facções brasileiras na lista de grupos terroristas, durante uma cúpula com líderes da América Latina.
A posição brasileira se baseia no entendimento de que há diferença entre organizações criminosas e terroristas.
Outro "curto-circuito", segundo ele, seria o memorando assinado em março entre o governo Trump e o ex-governador de Goiás sobre a exploração de minerais de terras raras. Em janeiro, o governo Trump fez um aporte na empresa norte-americana USA Rare Earth, de US$ 1,6 bilhão, e passou a ser dono de cerca de 10% da companhia.
A injeção de recursos possibilitou a compra da mineradora goiana Serra Verde por US$ 2,8 bilhões em abril. Nesse contexto, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou um memorando de entendimento com os EUA para mapeamento mineral.
O governo Lula criticou veementemente a medida e afirmou que Caiado — pré-candidato à Presidência pelo Partido Social Democrático (PSD) — avançou sobre temas de competência do governo federal.
Comitiva
O presidente brasileiro está acompanhado de cinco ministros, além do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Compõem a comitiva o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, da Justiça, Wellington César Lima, da Fazenda, Dario Durigan, da Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e o de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
*Com informações de CNN Brasil
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.



