CNJ forma maioria para abrir processo disciplinar contra juízes da Lava Jato
O Conselho Nacional de Justiça seguiu o entendimento do corregedor, ministro Luis Felipe Salomão, de que os desembargadores cometeram irregularidades

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) formou maioria de votos nesta sexta-feira (7) para determinar a abertura de processo disciplinar contra quatro juízes que trabalharam nas investigações da Operação Lava Jato.
O CNJ seguiu o entendimento do corregedor-nacional de Justiça, ministro Luis Felipe Salomão, de que os desembargadores Carlos Thompson Flores e Loraci Flores, e os juízes Gabriela Hardt e Danilo Pereira, cometeram irregularidades. Foram 10 votos favoráveis à abertura do processo.
O corregedor Luis Felipe Salomão afastou, em abril, os quatro magistrados, em decisão monocrática (individual). No entanto, o plenário do CNJ revogou, por maioria, o afastamento de Hardt e Pereira e manteve de Thompson e Loraci Flores.
Gabriela Hardt substituiu Sergio Moro no comando dos julgamentos em primeira instância da operação Lava Jato.
O caso
Os processos contra os magistrados têm origem em uma correição extraordinária conduzida por Salomão nas unidades judiciais que julgaram os casos da Lava Jato.
Em seu relatório, o corregedor concluiu haver indícios de diversas irregularidades na condução da operação. Ele citou, por exemplo, "comportamento deliberado" no descumprimento de decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a invalidação de provas ligadas à empresa Odebrecht.
Thompson Flores e Loraci Flores foram também acusados de descumprir uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que suspendeu os processos contra o ex-juiz da Lava Jato Eduardo Appio. Eles faziam parte da 8ª turma do TRF, colegiado que deliberou sobre o caso e afastou Appio do cargo. O juiz federal Danilo Pereira também participou do julgamento.
Gabriela Hardt é acusada ainda de autorizar o repasse de cerca de R$ 2 bilhões oriundos de acordos de delação firmado com os investigados para um fundo que seria gerido pela força-tarefa da Lava Jato. A decisão ocorreu em 2019, quando a juíza atuava na 13ª Vara Federal em Curitiba, responsável pelo julgamento de processos da Lava Jato. Atualmente, Gabriela atua na 23ª Vara Federal em Curitiba.
Com informações da Agência Brasil*
Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Centro Universitário e Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Foi finalista do Prêmio CNT de Jornalismo em 2025. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia na capital federal.



