Caso Master: Banco Central liquida Trustee e Banvox
Distribuidoras ligadas a ex-sócio de Vorcaro são alvo de liquidação extrajudicial

O Banco Central decretou, nesta quinta-feira (3), a liquidação extrajudicial da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. e da Banvox Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários Ltda. As duas instituições têm sede em São Paulo e integram o mesmo conglomerado financeiro.
Segundo o Banco Central, a decisão foi motivada pela existência de “graves violações às normas legais que disciplinam as atividades das instituições”. Com a liquidação, os bens dos controladores e dos ex-administradores das duas empresas ficam indisponíveis.
Apesar da medida, o BC informou que as instituições têm baixa representatividade no Sistema Financeiro Nacional. Em julho de 2026, Trustee e Banvox respondiam, juntas, por menos de 0,001% do ativo total ajustado do sistema e por 0,76% do volume de recursos de terceiros sob administração.
A liquidação ocorre em meio aos desdobramentos do caso envolvendo o Banco Master, instituição que teve a liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025 e que é alvo de investigações sobre suspeitas de fraudes financeiras.
As duas distribuidoras são ligadas a Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, de Daniel Vorcaro. A relação coloca as empresas novamente no radar das autoridades que investigam o conglomerado financeiro.
A Trustee já havia sido citada em investigações relacionadas a operações financeiras. Em julho, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 135 milhões em bens e ativos de réus ligados a um investimento da Rioprevidência em um fundo administrado pela instituição.
A Banvox também aparece em apurações sobre estruturas ligadas ao ecossistema do Banco Master. Segundo informações de mercado, a empresa chegou a ter participação no capital do banco, posteriormente transferida para uma empresa ligada a Vorcaro.
O Banco Central informou que continuará adotando as medidas necessárias para apurar as responsabilidades pelas irregularidades identificadas.
De acordo com o órgão, o resultado das investigações poderá levar à aplicação de sanções administrativas e ao encaminhamento de informações para outras autoridades competentes.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



