Caso Marielle: Domingos Brazão ganhou o direito de receber mais de meio milhão de reais do TCE-RJ
Apontado como um dos mandantes da morte da vereadora do Psol, conselheiro de contas teve férias não utilizadas convertidas em dinheiro

Pouco mais de uma semana antes de ser preso por suspeita de ter ordenado a morte da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ), o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), Domingos Brazão, ganhou o direito de receber, em dinheiro, uma compensação por 420 dias de férias não utilizados. A conversão das folgas em recursos financeiros ia garantir, a ele, mais de R$ 581 mil.
O despacho que autorizava o pagamento a Brazão consta na edição do último dia 13 do Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro. Nesse domingo (24), o conselheiro e seu irmão, o deputado federal Chiquinho Brazão (União Brasil-RJ), foram presos pela Polícia Federal. Detido, também, o delegado Rivaldo Barbosa, da Polícia Civil, suspeito de ter obstruído as investigações.
Mesmo no período em que ficou afastado, Brazão seguiu recebendo os vencimentos mensais dos integrantes da Corte: R$ 52 mil.
A reportagem tenta contato com o TCE-RJ para saber o destino de Domingos Brazão na Corte após a prisão. A Itatiaia quer saber, também, se o pagamento de valores por férias não utilizadas será cancelado.
"O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) informa que equipes da Polícia Federal chegaram à sua sede, ao início da manhã deste domingo, para cumprir mandado de busca e apreensão no gabinete do conselheiro Domingos Inácio Brazão. O TCE-RJ está cooperando com as autoridades policiais e não se manifestará sobre o caso", lê-se em texto da Corte de Contas sobre o caso.
STF tem maioria para manter prisões
Nas primeiras horas desta segunda-feira (25), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para manter as prisões dos irmãos Brazão e de Rivaldo Barbosa. As detenções foram fruto de determinação do ministro Alexandre de Moraes.
Chiquinho, Domingos e Rivaldo foram levados para a Penitenciária Federal de Brasília (DF). A prisão de Chiquinho ainda precisa ser avalizada pela Câmara dos Deputados.
Marielle Franco foi executada no Rio de Janeiro em março de 2018. O caso aconteceu logo após a vereadora deixar um evento na região central carioca. O carro em que ela, o motorista Anderson Gomes e uma assessora estavam foi perseguido por criminosos.
As investigações chegaram aos nomes dos supostos mandantes após a delação premiada do ex-policial Ronnie Lessa, apontado como o atirador do caso.
O advogado de Domingos Brazão, Ubiratan Guedes, afirmou, nesse domingo, que o cliente “não tinha nenhuma ligação” com Marielle. Segundo ele, o conselheiro “não conhecia” a pessolista.
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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.



