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Câmara vai discutir ação inglesa contra BHP por rompimento da barragem em Mariana

Audiência está marcada para quarta-feira (14) na Comissão Externa para Fiscalização dos Rompimentos de Barragens

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Rompimento da Barragem de Fundão
Rompimento da Barragem de Fundão  • Antônio Cruz

A Comissão Externa para Fiscalização dos Rompimentos de Barragens e Repactuação da Câmara dos Deputados vai discutir, em audiência pública, na próxima quarta-feira (20), a ação judicial de Mariana contra a mineradora BHP Billiton na Justiça Inglesa.

 Cerca de 720 mil vítimas – entre moradores, municípios, indígenas, autarquias e instituições religiosas – processam a empresa anglo-australiana BHP, que era sócia da Vale na Samarco, mineradora responsável pela barragem de Fundão. A estrutura rompeu em novembro de 2015, matando 19 pessoas e poluindo todo o Rio Doce. O rastro de lama chegou ao mar deixando atingidos em Minas Gerais e no Espírito Santo.

O julgamento está marcado para 2024. O processo já é a maior ação coletiva do mundo, avaliada em US$ 44 bilhões – cerca de R$ 230 bilhões (somados os juros acumulados em mais de sete anos). Em agosto, a mineradora brasileira Vale também se tornou ré no processo.

Estão confirmados para participar da audiência Thomas Goodhead, CEO do escritório internacional Pogust Goodhead – que representa as vítimas nos tribunais; José Eduardo Cardozo, ex-ministro da Justiça e Joceli Andreoli, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).

Reposta

A mineradora rebate a necessidade dos atingidos de moverem ação contra a multinacional na justiça inglesa. Leia na íntegra:

"A BHP refuta integralmente os pedidos formulados na ação ajuizada no Reino Unido e continuará com sua defesa no processo, que é desnecessário por duplicar questões já cobertas pelo trabalho contínuo da Fundação Renova, sob a supervisão dos tribunais brasileiros, e objeto de processos judiciais em curso no Brasil.

A BHP Brasil continua trabalhando em estreita colaboração com a Samarco e a Vale para apoiar o processo de reparação em andamento no Brasil. A Fundação Renova promoveu avanços significativos no pagamento de indenizações individuais, tendo realizado pagamentos a mais de 427 mil pessoas, incluindo comunidades tradicionais como quilombolas e povos indígenas. A Renova já desembolsou mais de R$ 30 bilhões em ações de reparação, sendo aproximadamente 50% desse valor foi pago diretamente às pessoas atingidas por meio de indenizações individuais. No total, mais de 200 mil autores no processo da Inglaterra já receberam pagamentos no Brasil".

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast "Abrindo o Jogo", que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.