Câmara retira taxação das bets do PL Antifacção
Contribuição sobre apostas esportivas poderia gerar até R$ 30 bilhões anuais, mas foi rejeitada pelo PL e partidos do Centrão

A Câmara dos Deputados retirou do texto final do PL Antifacção a criação da chamada Cide-Bets, contribuição que previa a cobrança de 15% sobre transferências feitas por usuários a plataformas de apostas esportivas online. A medida poderia gerar cerca de R$ 30 bilhões por ano para o financiamento de políticas de segurança pública, segundo estimativas apresentadas no Senado.
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O relator da proposta, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) chegou a incorporar o mecanismo em seu parecer, mas aceitou a retirada do trecho para evitar resistência que pudesse comprometer a aprovação do texto principal, já no avançar da hora.
A exclusão provocou reação de integrantes da base governista. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que o Congresso abriu mão de uma fonte relevante de financiamento para a segurança pública.
“Estamos deixando de garantir recursos estruturais para o enfrentamento do crime organizado”, reagiu.
Nos bastidores, o PT se alegou ter sido traído pelo relator ao abrir mão de seus destaques ao texto para que ele fosse votado. Apesar disso, Derrite aceitou o destaque que retirou esse trecho de pauta para discuti-lo em outra ocasião - sem data definida. A votação desse destaque, considerado favorável as bets não ocorreu de forma nominal, o que também irritou parte dos parlamentares.
Sem a Cide-Bets, o texto aprovado mantém o endurecimento penal e os mecanismos de confisco de bens de organizações criminosas, mas deixa de criar uma nova fonte estável de financiamento federal para ações de segurança pública.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



