Brasil pode sofrer sanções comerciais dos EUA nos próximos 90 dias, alertam senadores
Proposta que deve ser aprovada pelo Congresso prevê sanções automáticas a países que mantiverem comércio com a Rússia; Brasil pode ser atingido

Os parlamentares brasileiros relataram que foram pressionados, especialmente por parlamentares do Partido Democrata - oposição a Trump -, a rever os acordos comerciais com Moscou, sob o risco de uma “crise pior” atingir o Brasil. A iniciativa seria uma forma de pressionar o presidente russo Vladimir Putin a aceitar um cessar-fogo com a Ucrânia.
O que pode ser feito?
Apesar das dificuldades, os senadores enxergam uma possível brecha: há, segundo eles, disposição no Congresso americano para que insumos agrícolas como os fertilizantes possam ser isentos das sanções. “Houve, inclusive, por parte de um dos senadores, a possibilidade de que o Brasil possa apresentar razões com relação, por exemplo, aos fertilizantes, e a lei ter alguns pontos que permitam esse tipo de comércio sem deferência”, disse Viana.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), que integra a comitiva, lembrou que o Brasil depende de insumos russos para o agronegócio. “Não temos substituto imediato para a importação de fertilizantes. Se interrompermos essas compras, paramos o agronegócio brasileiro”, advertiu.
Wagner ainda relatou que os interlocutores norte-americanos pediram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligasse diretamente para Trump para discutir o caso. Segundo ele, o presidente estaria disposto a conversar, desde que o tema não envolva ingerência sobre o Judiciário brasileiro.
“Falei com o presidente Lula, que disse que tem que ser respeitado. Quem tem que organizar esse encontro é a diplomacia. Não acho que o encontro se dará antes de 1º de agosto. Lula não tem problema em falar com ele [Trump]. A questão da Rússia pode ser debatida em uma reunião bilateral, desde que não sejam tratadas as questões do Judiciário”, afirmou o senador.
O grupo, formado por oito senadores, encerrou a missão diplomática nesta quarta-feira (30) após três dias de reuniões. As tratativas oficiais para tentar barrar as tarifas estão a cargo do governo federal, sob coordenação do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



