‘Bolsonaro foi figura central do 8 de janeiro’, diz senadora que pede indiciamento do ex-presidente
Senadora Eliziane Gama relembrou ataques do ex-presidente contra o processo eleitoral e disse que discurso de ódio propagado por ele longo de quatro anos motivou invasores que atacaram as sedes dos Três Poderes

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) relembrou nesta segunda-feira (08) o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nos ataques do dia 8 de janeiro, quando apoiadores atacaram as sedes dos Três Poderes, em Brasília. Mesmo sem estar diretamente relacionado à invasão, Bolsonaro é apontado por Eliziane como figura central do evento que resultou em uma tentativa de golpe de estado.
“Nós tivemos ao longo dos quatro anos no governo de Jair Bolsonaro o questionamento da urna eletrônica sem nenhuma prova apresentada para a sociedade brasileira. Nós tivemos, durante quatro anos, uma verdadeira campanha de ódio onde o presidente Bolsonaro foi figura central, colocando a sociedade e a população em uma situação na tentativa de conflagrar, de questionar o processo eleitoral braisleiro sem que para isso houvesse qualquer tipo de elemento formal ou cabal”, declarou em entrevista à CNN.
Eliziane foi relatora da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou os ataques em Brasília. O relatório, escrito por ela, recomendou que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outras 60 pessoas, entre elas políticos e militares, fossem indiciadas pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado democrático de direito e golpe de Estado. O indiciamento do ex-presidente depende da Procuradoria-geral da República.
Inelegível
A senadora também comentou as ações do Tribunal Superior Eleitoral que tornaram Bolsonaro inelegível. De acordo com Eliziane, essa reação da Justiça Brasileira foi um recado para o mundo de que a democracia brasileira permaneceu de pé após a tentativa de golpe.
“O Brasil se apresenta para o mundo e diz: ‘olha, quem incentivou, quem trabalhou uma campanha de ódio e tentou dividir o Brasil, nós o tornamos inelegível’. Porque no Brasil, o que impera é a democracia, o direito do contraditório, o saber ganhar e saber perder, esse é o cenário. Eu acho que essa resposta para o mundo foi muito importante”, avaliou a senadora.
A defesa do ex-presidente foi procurada para se manifestar e o espaço segue em aberto.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



