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Bolsonaro critica Gonet por denúncia: “Conseguiu tornar a história mais fantasiosa que a PF”

Ex-presidente foi denunciado por golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa

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Jair Bolsonaro
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) • Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) falou nesta sexta-feira sobre a denúncia enviada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra ele e mais 33 pessoas por tentativa de golpe de Estado. Em entrevista à revista Oeste, Bolsonaro disse que o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, "conseguiu tornar a história mais fantasiosa ainda do que a própria Polícia Federal".

De acordo com a denúncia da PGR, Bolsonaro desempenhou um papel central no plano de tentativa de golpe de Estado, liderando e articulando ações com o objetivo de permanecer no poder mesmo após a derrota nas eleições.

Bolsonaro rechaça as acusações e lembra que não estava no Brasil durante os atos de 8 de janeiro, em Brasília. "Fui colocado no olho do furacão do 8 de janeiro. Eu nem no Brasil estava. No meu entendimento, no entendimento do ministro da Defesa, José Múcio, ninguém quis dar o golpe no dia 8 de janeiro. Mas a gente está vivendo esse inferno astral, que ninguém sabe quando vai terminar", afirmou.

Bolsonaro também reclamou do fato de não ser julgado pela Justiça comum, mas sim pelo STF. "Primeiro, eu deveria estar na primeira instância, onde o Lula foi julgado. O foro adequado é a primeira instância. Outra, em eu sendo julgado, tem que ser pelo plenário (do STF). O pessoal do 8 de janeiro está sendo julgado pelo plenário. E que meu julgamento não seja por intermédio de gravação de vídeo, tem que ter o debate ali. Isso se chama devido processo legal, amplo direito ao contraditório, legítimo direito à defesa".

Objetivo seria tirar direita da disputa em 2024

Na avaliação de Bolsonaro, um dos principais objetivos da denúncia seria "tirar a direita da disputa eleitoral" em 2026. Estratégia que, segundo ele, não vai surtir efeito devido à força do conservadorismo em todo o mundo.

"A direita veio para ficar, os conservadores vieram para ficar. Essa onda está no mundo todo, não é nos Estados Unidos apenas, está na Argentina, no mundo todo. E essa é a tendência. E nós sabemos que o futuro de qualquer país passa pela capacidade do seu povo de se instruir e usar o seu patrimônio para que, ao gerar conhecimento, você consiga benefício para o seu povo. E isso a esquerda não tem", disse o ex-presidente.

"A esquerda não tem liderança. Você vê liderança na direita e não vê na esquerda. Liderança da esquerda é um Felipe Neto da vida. É um ou outro maluco qualquer que não consegue fazer uma crítica construtiva. Só vai para a ofensa", acrescentou Bolsonaro.

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Editor de Política. Formado em jornalismo pela Newton Paiva e pós-graduado em comunicação empresarial pela Universidad de Barcelona (ESP). Já trabalhou no Lance!, no Diários Associados e em O Tempo.