Autor de proposta sobre o fim da escala 6x1 acusa Flávio Bolsonaro de tentar se apropriar da PEC
Idealizador da proposta afirma que PL atuou para barrar o avanço da medida no Congresso e diz que mudança de posição do candidato do PL ocorre por pressão da opinião pública

Às vésperas do momento da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 no Senado, o idealizador da proposta, Rick Azevedo (PSOL-RJ), criticou o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro.
Em coletiva nesta quarta-feira (14), Rick afirmou que o PL trabalhou para impedir o avanço da matéria ao longo dos últimos três anos e classificou como "eleitoreira" a decisão de Flávio de anunciar voto favorável à proposta.
Segundo Rick, se a PEC chega ao plenário do Senado apenas agora, isso aconteceu justamente por causa da resistência da oposição: "Se nós estamos hoje com essa possível aprovação, é culpa do PL de Flávio Bolsonaro. Estamos há três anos lutando para avançar com essa matéria, mas o PL e Flávio Bolsonaro barraram o tempo todo", afirmou.
O parlamentar disse que, desde a apresentação da proposta pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP), a oposição tentou impedir a tramitação da PEC, retirando o texto de pauta e dificultando a realização de audiências públicas.
Para Rick, o apoio declarado por Flávio Bolsonaro às vésperas da votação não representa uma mudança de convicção, mas uma estratégia para reduzir o desgaste político junto ao eleitorado: "Não adianta agora chegar hoje e votar favorável como se a gente tivesse memória curta."
"Quem está sendo oportunista é Flávio"
Rick também rebateu as críticas da oposição de que o governo Lula estaria usando a PEC com finalidade eleitoral.
Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre apoiou a redução da jornada de trabalho e defendeu que a votação ocorreu apenas agora porque a proposta enfrentou resistência durante sua tramitação: "Quem está sendo oportunista e usando essa pauta de forma eleitoreira é o Flávio Bolsonaro. Se ele votar favorável hoje, é porque não quer perder capital político."
Críticas ao futuro da proposta
Rick Azevedo também afirmou que teme uma eventual reversão da medida caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente.
Na avaliação do parlamentar, mesmo com a possível aprovação da PEC nesta quarta-feira, haveria risco de uma futura tentativa de alterar novamente a legislação trabalhista: "Espero que ele não ganhe. Vou lutar para que isso não aconteça, porque acredito que, se chegar à Presidência, poderá tentar revogar essa conquista dos trabalhadores."
A PEC prevê a redução gradual da jornada máxima semanal de trabalho de 44 para 40 horas, mantendo dois dias de descanso remunerado por semana e sem redução salarial.
A proposta está prevista para ser votada em primeiro e segundo turno pelo Senado ainda nesta quarta-feira.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



