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Audiência pública discute falta de vagas para acolhimento de idosos em Belo Horizonte

Dados apontam que 52 idosos estão aguardando há meses na fila de espera para serem acolhidos em alguma Instituição de Longa Permanência para a Pessoa Idosa

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Audiência aconteceu na Câmara Municipal de Belo Horizonte, nesta terça-feira (16) • Edson Costa / Itatiaia

Dados apresentados nesta terça-feira (16) em uma audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal apontam que 52 idosos estão aguardando há meses na fila de espera para serem acolhidos em alguma Instituição de Longa Permanência para a Pessoa Idosa (ILPI) credenciada na rede socioassistencial da prefeitura de Belo Horizonte.

Segundo vereadores e diversos representantes de instituições e conselhos de saúde, a justificativa é a falta de vagas para acolher idosos. Deste modo, vários estariam sendo encaminhados para Centro Pops (Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua), além de CERSAMs (Centro de Referência em Saúde Mental) e hospitais, onde muitos têm inclusive morado enquanto aguardam vagas.

Para serem acolhidos em ILPIs, os idosos precisam passar pela rede de atendimento da prefeitura, e só podem ser encaminhados se atenderem critérios exigidos pelas autoridades municipais de assistência social. Também é preciso comprovar dificuldades financeiras para custear os cuidados a estes idosos.

Kátia Dias dos Santos é técnica de enfermagem e filha de um idoso de 73 anos que está na fila de acolhimento, aguardando vaga em ILPs. Depois de três anos lidando com diversas dificuldades para arcar com os cuidados para o idoso, ela conseguiu encaminhamento em dezembro do ano passado para encaminhar o pai para uma ILPI. Entretanto, ainda aguarda vaga.

“O que a gente pede, o que a gente suplica, nada mais é para que o idoso tenha um acolhimento, para que ele tenha um fim de vida, para que ele consiga ter o básico, sabe, o básico, que é uma assistência, uma assistência familiar, porque eu não estou abandonando o meu pai, eu quero o melhor para o meu pai”, lamenta.

“Eu quero poder sair da minha casa em paz, ir visitá-lo, levar os netos para que ele tenha um bom convívio, mas que ele seja cuidado, que ele esteja numa instituição que o acolha de verdade, que dê a ele o que ele precisa no tempo integral, aquilo que infelizmente eu já não tenho mais condição de dar, não tenho mais psicológico, eu não tenho mais financeiro, eu só tenho amor”, afirmou em audiência pública.

Prefeitura alega problemas financeiros e estuda remanejamento

O Secretário de Assistência Social e Direitos Humanos da Prefeitura de Belo Horizonte, André Reis, participou virtualmente da audiência. Ele confirmou que as denúncias fazem sentido e afirmou que há limitações financeiras que dificultam a ampliação de vagas para atendimento permanente de pessoas idosas. Entretanto, a secretaria estuda um remanejamento de vagas para acolher os idosos que estão na fila de espera.

“A fila angustia todo mundo aqui, a gente tem uma série de limitações orçamentárias, físicas e fiscais de poder fazer essas ampliações. Ninguém mais do que qualquer trabalhador do SUS que está aqui conosco e a gente como gestão também fica angustiado com essa fila. Essa fila não é uma coisa que a gente olha e dorme tranquilo, isso não existe. A gente tem agora muitas vagas, não sei se são muitas, mas desde que eu estou aqui parecem muitas, pelo fato de não serem preenchidas até então”, pontua.

“As vagas femininas a gente tem feito estudos de remanejamento para vagas masculinas. Esse remanejamento ele não é trivial, como a gente imaginou no início, então fazer remanejamento de vagas e essa reorganização do sistema demanda uma articulação nossa junto à entidade e também que as entidades foram dimensionadas, a própria construção e concepção dessas entidades foram com quantitativo de vagas femininas ou vagas masculinas, então tem um debate interno a ser colocado junto com elas para essa remodelagem”, conclui.

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.