Belo Horizonte
Itatiaia

Após vídeo de Michelle, Flávio pede desculpas e tenta reduzir crise no entorno de Bolsonaro

Senador afirma que jamais desrespeitou a ex-primeira-dama, reconhece trabalho dela e mantém convite para participação em agenda do PL Mulher

Por
O senador Flávio Bolsonaro (esq.) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (dir.)
O senador Flávio Bolsonaro (esq.) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (dir.) • Waldemir Barreto/Agência Senado e Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Horas depois de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornar público o desentendimento com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o pré-candidato à Presidência tem buscado um tom mais conciliador e fez um pedido público de desculpas à esposa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em vídeo divulgado nas redes sociais nesta quinta-feira (25), Flávio negou ter desrespeitado Michelle, afirmou que nunca teve a intenção de ofendê-la e disse que, caso suas atitudes tenham causado esse efeito, pede desculpas: "Em nenhum momento eu ofendi ou tive a intenção de ofender a Michelle. Se eu fiz em algum momento, mais uma vez eu peço desculpas."

A manifestação aconteceu depois de Michelle divulgar um vídeo em que afirmou ter sido "desrespeitada", "maltratada" e "humilhada" pelo senador durante uma conversa telefônica motivada por divergências sobre as articulações do PL no Ceará.

Nos bastidores do partido, interlocutores acompanhavam a expectativa de que Flávio fizesse um gesto público de distensão. Aliados próximos à ex-primeira-dama afirmavam que Michelle aguardava uma retratação do senador desde o episódio envolvendo a disputa interna no Ceará. A ausência desse gesto vinha sendo apontada como um dos fatores que antecederam a decisão da ex-primeira-dama de gravar o vídeo em que expôs o conflito.

Na nova manifestação, Flávio procurou destacar a relação de respeito com Michelle e fez questão de reconhecer sua atuação política: "Tenho respeito por ela, reconheço o trabalho dela no PL Mulher, que bateu recorde de filiação de mulheres, pelo trabalho dela com surdos, com as pessoas com doenças raras, pelo cuidado com meu pai e por tudo que ela representa para o Brasil."

O senador também buscou contextualizar o momento vivido pela família Bolsonaro, citando a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro: "Toda a nossa família está passando por um momento muito difícil. Eu entendo a angústia da Michelle vendo meu pai todos os dias sofrendo com uma injustiça gigantesca."

Sem entrar novamente na disputa envolvendo a aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará, Flávio classificou o episódio como uma divergência de estratégia, e não de princípios: "Divergência de estratégia não significa divergência de princípios."

Ao longo do pronunciamento, o senador reforçou que todas as decisões políticas que toma são respaldadas por Jair Bolsonaro e defendeu que o foco do grupo permaneça na disputa contra o PT nas eleições de 2026.

Na tentativa de demonstrar que a relação com Michelle continua aberta ao diálogo, Flávio afirmou que mantém o convite para que ela participe de uma reunião prevista para a próxima semana com o PL Mulher: "O convite segue de pé e o coração segue aberto, Michelle. O diálogo, o respeito e a união vão ser sempre o melhor caminho."

O pronunciamento representa a primeira tentativa explícita de reduzir a crise pública aberta pela ex-primeira-dama. Até então, Flávio havia evitado responder diretamente às acusações e se limitado a afirmar, em uma transmissão nas redes sociais, que "nada nem ninguém" o aborreceria porque o foco deveria permanecer no projeto político do grupo.

Por

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.