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ALMG: Caporezzo apaga vídeo em que questiona escolta a Bella Gonçalves

Deputado chegou a publicar imagens que mostram parlamentar do Psol sob a proteção de policiais durante momento de folga em um bar

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Deputado do PL se envolveu em embate com colega do Psol
Deputado do PL se envolveu em embate com colega do Psol • Elizabete Guimarães/ALMG

O deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) resolveu apagar, das redes sociais, um vídeo que mostra a escolta em tempo integral recebida por Bella Gonçalves (Psol), sua colega na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Caporezzo publicou imagens da parlamentar em um bar para questionar o fato de Bella ser acompanhada por policiais em todos os compromissos — inclusive os de ordem pessoal. A deputada recebe proteção das forças de segurança por ter sido alvo de ameaças de “estupro corretivo”.

Em áudios enviados a deputados na noite dessa quarta-feira (25), Caporezzo diz que optou pela exclusão do vídeo para prezar pelo "bom relacionamento" nas dependências da Assembleia. Antes, ele recebeu críticas vindas de lideranças do Parlamento, que interpretaram o vídeo como uma exposição indevida da rotina pessoal de Bella Gonçalves.

Aos colegas, o deputado do PL se queixou de um assessor de Bella. Segundo ele, o homem teria tentado levá-lo ao solo também nessa quarta, durante uma reunião da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia. A deputada do Psol nega a acusação

Decisão judicial

Na terça-feira (24), uma decisão judicial assinada por um magistrado de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), determina a remoção, da internet, do vídeo original sobre o caso. 

As imagens, inicialmente publicadas por um homem que foi candidato a vereador em Contagem dois anos atrás, mostram Bella Gonçalves em um bar, durante um momento de folga das atividades parlamentares.

A sentença estipulava, inclusive, multa de R$ 3 mil ao dia caso o vídeo não fosse apagado.

Ontem, à Itatiaia, Caporezzo disse não se arrepender de ter publicado o vídeo.

"Minha crítica foi no seguinte sentido: não dá para você falar que uma mulher, na rua, não pode ter acesso a uma arma de fogo, porque armas só servem para ceifar vidas — e a deputada Bella falou que armas só servem para tirar vidas. Mas ela quer escolta armada da Polícia Militar e viver cercada de todo tipo de proteção. Quem 'paga o pato' é a mulher mais pobre", apontou.

Bella, por sua vez, afirmou que a divulgação do vídeo deu forma a uma "rede de ódio".

"(Caporezzo) pegou um vídeo que, inclusive, foi interditado pela Justiça e apresenta calúnia e difamação sobre mim, a partir de um registro de eu sentada, tranquila, em um bar, em um domingo, em um horário de descanso. E joga nas redes sociais para tentar, com isso, criar polêmica. Uma rede de ódio se movimenta a partir daí. Um vídeo vira dois, três e uma série de xingamentos de caráter machista e misógino. Alimenta as mesmas redes de ódio que estão, hoje, nos ameaçando", falou.

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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.