Além de Nikolas, deputados da esquerda podem se beneficiar com PEC que reduz idade para Presidência e Senado
Para concorrer ao Senado e à presidência em 2026, os candidatos precisam ter, pelo menos, 35 anos. Se aprovada, pessoas com 30 anos já poderão disputar os cargos

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do deputado Eros Biondini (PL) que reduz a idade mínima para disputar cargos no Senado e na presidência da República de 35 para 30 anos, além de beneficiar o deputado Nikolas Ferreira (PL), também poderia impulsionar a candidatura de outros nomes para 2026. Dentre eles, as deputadas Erika Hilton (PSOL) e Tabata Amaral (PSB), além do prefeito de Recife, João Campos (PSB).
No próximo pleito geral, os três terão entre 32 e 33 anos, idade insuficiente para tentar concorrer os cargos, caso a PEC não seja provada.
Embora tenha admitido ter o "sonho" de disputar a presidência, Nikolas reiterou a lealdade à Bolsonaro a dizer que possivelmente tentaria o governo de Minas Gerais, ou Senado, em 2026.
Erika Hilton
Aos 14 anos, foi expulsa de casa, por conta da sua identidade de gênero, e precisou se prostituir para sobreviver. Após se reconciliar com a família, aos 19 anos, ela concluiu o ensino médio através do Ensino de Jovens e Adultos (EJA) e ingressou no curso de pedagogia na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
Em 2015, a deputada viralizou nas redes sociais após divulgar na internet que uma rede de ônibus municipal se negou a imprimir a passagem com o nome social dela. Com a repercussão, Erika ganhou a causa, mas também conseguiu popularidade na militância contra a transfobia.
No ano seguinte, em 2016, ela se filiou ao PSOL e se candidatou ao cargo de vereadora em Itu, interior de São Paulo, mas não conseguiu se eleger.
Em 2020, Erika disputou uma vaga na Câmara Municipal de São Paulo e se elegeu como a mais votada por mais de 50 mil votos.
Dois anos depois, em 2022, concorreu pelo PSOL à Câmara dos Deputados, sendo eleita com mais de 250 mil votos.
Recentemente, o nome dela ganhou força após a PEC que propõe o fim da escala 6x1 ganhar repercussão nas redes sociais. A proposta já tem assinaturas necessárias para tramitar na Casa Legislativa e deve ser protocolada na volta do recesso parlamentar, na próxima semana.
Ela também publicou um vídeo rebatendo Nikolas Ferreira sobre a "polêmica do Pix".
Embora não tenha declarado oficialmente a intenção de concorrer à presidência, Érika já declarou que seria "lindo" uma mulher negra, travesti, disputando o cargo.
João Campos
Filho do ex-governador, Eduardo Campos, que morreu em 2014 em um acidente de avião, João é formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e começou a trajetória política como militante no PSB. Em 2014, foi secretário de organização do partido e, dois anos depois, passou a ocupar a chefia de gabinete do governo pernambucano.
Em 2018, se elegeu como deputado federal mais votado da história de Pernambuco, o mais votado do Nordeste e o quinto mais votado do Brasil.
A família do prefeito é uma das mais tradicionais da política pernambucana. Além do pai, o bisavô dele também foi governador e prefeito de Recife, Miguel Arraes. A avó dele, Ana Arraes, foi deputada e ministra do Tribunal de Contas da União (TCU).
Nas redes sociais, João Campos tem mais 3 milhões de seguidores, sendo 2,9 milhões apenas no Instagram.
O desempenho do prefeito nas redes sociais chamou a atenção de integrantes do governo federal, que considerou o recifense como "case de sucesso". O novo ministro de Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Sidônio Palmeira, convidou Mariah Queiroz, que trabalhou com as redes sociais de João Campos, para um cargo na pasta.
Devido ao sucesso da linguagem considerada "pop", a assessora Mariah Queiroz, que trabalhou chefiando as redes do prefeito, foi convidada a assumir um cargo na Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), do governo Lula (PT).
Tabata Amaral
A deputada estudou em escolas públicas até conseguir bolsas de estudos para ingressar em instituições particulares. Tabata tem medalhas em olimpíadas de química, astronomia e astrofísica.
Aos 18 anos, Tabata foi aprovada no vestibular na Universidade de São Paulo (USP), mas também em faculdades estrangeiras como Harvard, Yale, Columbia, Princeton, Pensilvânia e Caltech.
Optando por Harvad, Tabata é formada em Ciência Política e Astrofísica.
Ao retornar para o Brasil, ela fundou o Mapa Educação, movimento para engajar jovens a atuarem com projetos educacionais.
Após passar pela escola RenovaBR, que "treina" novas lideranças, Tabata se lançou como deputada federal pelo PDT em 2018 e foi eleita com 264 mil votos, sendo a sexta mais votada de São Paulo.
Após uma briga interna, desencadeada pelo apoio à Reforma da Previdência, Tabata ficou dois anos na Justiça tentando sair para o PSB, partido no qual se reelegeu em 2022 com 337 mil votos.
Em 2024, tentou pela primeira vez a Prefeitura de São Paulo, ficando em quarto lugar, atrás de Pablo Marçal (PRTB), Guilherme Boulos (PSOL) e Ricardo Nunes (MDB).
A reportagem tentou contato com as assessorias de Erika Hilton, João Campos e Tabata Amaral para comentar sobre o cenário de 2026, mas, até o momento, não tivemos retorno. O espaço segue aberto.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



















