Alckmin defende 'Taxa das blusinhas' e ajuste fiscal focado em privilégios
Vice cobra Senado por avanço de projeto e destaca potencial do Brasil em tecnologia e defesa

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, defendeu a taxação de produtos importados de baixo valor, abordou a estratégia de ajuste fiscal do governo e cobrou avanço de projetos econômicos no Senado, em fala nesta quinta-feira (2).
Ao comentar a chamada “taxa das blusinhas”, Alckmin justificou a medida como forma de equilibrar a concorrência com a indústria nacional. Segundo ele, produtos fabricados no Brasil chegam a ter carga tributária próxima de 50%, enquanto importados de até 50 dólares pagam menos: “O produto importado está pagando bem menos do que o produzido aqui dentro. É defesa do emprego e da renda”, afirmou.
Ele citou o impacto no setor têxtil, que, segundo dados apresentados, ampliou contratações mesmo com a taxação. Para Alckmin, a medida corrige distorções e protege um segmento intensivo em mão de obra.
No campo fiscal, o vice indicou que o governo pretende manter uma política contínua de ajuste, mas com foco direcionado. Alckmin fez uma analogia: “Ajuste fiscal é que nem cortar unha - é permanente”, disse. Segundo ele, a orientação do presidente Lula é evitar impacto sobre a população de baixa renda: “Não vou fazer ajuste em cima dos mais pobres. Tem espaço para cortar privilégios e desperdícios”.
Pressão sobre o Senado e aposta em indústria e tecnologia
Alckmin também destacou entraves no Congresso, especialmente em relação ao avanço do chamado Redata, regime voltado a estimular investimentos em data centers e tecnologia. O projeto já foi aprovado na Câmara, mas segue parado no Senado.
“O projeto foi aprovado na Câmara e precisa agora o Senado votar”, afirmou, após relatar conversas com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, e com o senador Rodrigo Pacheco. Ele classificou a proposta como estratégica para atrair bilhões em investimentos e posicionar o Brasil em setores de alta tecnologia, como inteligência artificial. Segundo Alckmin, o país tem vantagem competitiva na oferta de energia, apontada como um dos principais gargalos globais: “A limitação da inteligência artificial hoje no mundo é falta de energia. E nós temos energia abundante”, disse.
O vice também destacou o avanço da indústria de defesa e aeronáutica como vetor de crescimento econômico. Segundo ele, as exportações do setor saltaram de 600 milhões de dólares em 2022 para 3,5 bilhões no último ano. Ele citou a produção do caça Gripen no Brasil, a expansão das vendas do cargueiro KC-390 e novos contratos da Embraer como sinais de fortalecimento industrial. Além disso, mencionou a liberação de 5 bilhões de reais por ano para modernização das Forças Armadas: “A indústria de defesa está crescendo e deve exportar ainda mais”, afirmou.
Alckmin reforçou a posição do Brasil como país voltado à estabilidade. “Queremos continuar sendo um país de paz”, disse.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.
