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Abin conduziu investigação própria após denúncias sobre uso ilegal de programa espião, diz agência

Operação da Polícia Federal prendeu dois servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nesta sexta-feira

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Operação da Polícia Federal (PF) mirou uso ilegal de programa espião por servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin)
Operação da Polícia Federal (PF) mirou uso ilegal de programa espião por servidores da Agência Brasileira de Inteligência  • Antonio Cruz | Agência Brasil

Após operação da Polícia Federal (PF) com a prisão de dois de seus servidores nesta sexta-feira (20), a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) alegou colaborar com a corporação para identificar os responsáveis pelo uso ilegal de um programa espião durante a direção de Alexandre Ramagem no órgão. A Abin confirmou o afastamento de cinco agentes investigados e indicou que a corregedoria da agência conduziu uma investigação própria para identificar operações ilegais com a ferramenta de monitoramento.

A ação da PF acarretou na prisão de dois funcionários e no afastamento de outros cinco de suas funções. Além disso, vinte e cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos em quatro estados — São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Goiás — e no Distrito Federal.

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A investigação atestou que agentes da Abin operaram o sistema de geolocalização de dispositivos móveis para monitorar adversários do ex-presidente Bolsonaro sem a permissão do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os alvos desse software de espionagem estão advogados, juízes e jornalistas.

A aquisição do programa ocorreu durante o governo de Michel Temer (MDB) após o impeachment de Dilma Rousseff (PT). Entretanto, segundo a ação da PF, os usos indiscriminados e ilegais do programa ocorreram à época em que o diretor da Agência era Alexandre Ramagem, aliado do governo Jair Bolsonaro (PL) e hoje deputado federal eleito pelo Partido Liberal.

Conforme a Polícia Federal, cerca de dez mil aparelhos celulares podem ter sido monitorados ilegalmente. O FirstMile permite o rastreamento dos dispositivos móveis a partir da transferência de dados do telefone para torres de telecomunicações.

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Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.