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Lupi admite ‘safadezas’ dentro do INSS, mas diz que governo ‘não foi omisso em nada’

Ministro da Previdência Social afirmou que tomou as medidas necessárias para conter fraudes de associações contra aposentados

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O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi, será ouvido nesta quarta-feira (20), sobre a redução dos juros do crédito consignado
O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi • Claudio Reis / Câmara dos Deputados

O ministro da Previdência Social, Carlos Lupi (PDT), admitiu que muitas instituições e associações ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) “abusaram” e fizeram “coisas erradas”.

No entanto, em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo”, publicada nesta segunda-feira (28), o ministro afirma que não houve qualquer tipo de omissão por parte de seu ministério e que maioria das fraudes que vieram à tona na semana passada, após operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), vieram da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Que vai ter coisa errada, vai, com certeza. Muitas instituições abusaram e devem pagar por isso”, diz Lupi.

A autarquia está no centro de uma crise, após a descoberta de um esquema de descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. Estima-se que o prejuízo com esse esquema tenha chegado a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.

“A gente recebeu como herança uma instituição completamente dilapidada. Das 11 associações investigadas, 10 tiveram acordos firmados até 2022”, disse Lupi, atribuindo as fraudes ao governo de Bolsonaro.

“Mais de 60% dos descontos estão concentrados em 11 associações. Cinco delas foram credenciadas em 2022, e a partir daí elas concentraram muito esforço para ampliar o recolhimento de contribuição. Até agora, essa é a explicação que me ofereceram, é o raciocínio mais lógico. Não estou acusando, estou constatando. Há outra questão grave que é a operação casada que o sistema financeiro faz com as associações. Botam as famosas pastinhas que oferecem entrada na associação, pede assinatura e diz que o beneficiário vai ter direito a advogado, área de lazer… Coisa que muita associação oferece mesmo” continua o ministro.

'Safadeza de muita gente'

Perguntado se houve alguma omissão da pasta, Lupi afirmou que são milhões de processos diariamente que chegam à Previdência e que o processo de apuração é complexo.

“Eu não tenho preocupação nenhuma, não fui omisso em nada. A demissão do cara foi feita em tempo. Agora, são 6 milhões de processos, não é simples investigar. A Previdência Social tem mais de 1 milhão de pedidos novos por mês, não pode parar a Previdência. É tudo complexo, tudo difícil. A prova de que eu não fui omisso é que eu demiti o diretor. Fizemos uma portaria, fizemos uma instrução normativa, implementamos biometria. É assim: se tem instituições que fraudaram e roubaram aposentados, então nós temos o dever de defendê-los. Eu tenho certeza que tem muita safadeza de muita gente. Mas cinco ou seis servidores foram alvos, e eu vi mais de 200 pessoas ligadas às associações. Os cinco ou seis é que são os bandidos? Se estiver provado, eles vão pagar. Mas e os outros 200? E tem instituições sérias aí também, não se pode colocar todas no bolo”, afirmou Lupi.

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