Você compra uma cama para o gato, mas ele prefere a caixa: a ciência explica esse comportamento
Muitos gatos ignoram camas caras e escolhem caixas de papelão para dormir, brincar ou observar o ambiente. O hábito tem relação com o comportamento natural dos felinos e pode até ajudar alguns animais a lidar com situações estressantes, segundo pesquisas sobre bem-estar animal

Quem tem um gato conhece a cena: chega uma encomenda, a caixa é colocada no chão e, em poucos minutos, o animal já está instalado dentro dela. Enquanto isso, a cama comprada especialmente para ele permanece vazia.
Apesar de parecer apenas uma mania engraçada, esse comportamento tem explicações relacionadas às necessidades naturais dos felinos.
Segundo a veterinária Alison Gerken, especialista em comportamento animal, em artigo publicado no PetMD, caixas oferecem aos gatos um espaço protegido para se esconder, descansar e observar o que acontece ao redor.
Na natureza, esconderijos ajudam os felinos a evitar ameaças e também podem funcionar como pontos de observação durante a caça. Mesmo vivendo dentro de casa, os gatos conservam muitos desses comportamentos instintivos.
A caixa pode ajudar o gato a se sentir mais seguro?
Sim. E há pesquisas que sustentam essa possibilidade. Um estudo publicado em 2014 na revista científica Applied Animal Behaviour Science investigou o efeito de caixas de esconderijo em gatos recém-chegados a um abrigo nos Países Baixos.
Os pesquisadores observaram que os animais que tinham acesso a caixas apresentavam redução mais rápida de determinados indicadores de estresse e se adaptavam melhor ao novo ambiente do que os gatos sem esse recurso.
O resultado sugere que esconderijos podem ser ferramentas úteis para melhorar o bem-estar dos felinos, especialmente em situações desconhecidas.
O estudo foi realizado em um abrigo, portanto não significa que qualquer caixa resolverá todos os problemas comportamentais de um gato doméstico. Ainda assim, oferece evidências de que espaços protegidos podem ajudar alguns animais a lidar com mudanças.
A caixa também funciona como brinquedo?
Sim. Além de servir como esconderijo, o papelão permite que o gato explore texturas, arranhe superfícies e pratique movimentos de espreita e perseguição.
O Cornell Feline Health Center, centro de referência em saúde felina da Universidade Cornell, recomenda oferecer brinquedos e oportunidades de enriquecimento ambiental para estimular comportamentos naturais, favorecer a atividade física e reduzir o tédio.
Uma caixa simples pode ser uma dessas opções, desde que esteja limpa, seca e em boas condições.
Para torná-la mais interessante, o tutor pode colocar um brinquedo seguro dentro dela ou deixar uma abertura pela qual o animal consiga entrar e sair facilmente.
Qualquer caixa pode ser oferecida ao gato?
Não. É importante retirar grampos, fitas adesivas, cordões e partes que possam ser engolidas. Caixas com produtos químicos, resíduos de alimentos ou materiais desconhecidos também devem ser evitadas.
O gato precisa conseguir entrar e sair sem ficar preso. Além disso, a caixa deve ser colocada em um local seguro, longe de objetos que possam cair sobre o animal.
E se o gato começar a se esconder o tempo todo?
Gostar de caixas é um comportamento comum. Entretanto, se o gato passar a se esconder muito mais do que antes, deixar de comer ou evitar interações habituais, é importante investigar a causa.
O Cornell Feline Health Center alerta que mudanças de comportamento podem estar relacionadas a estresse ou problemas de saúde. Se houver alterações persistentes, procure um veterinário.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



