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Sobrepeso em cães pode prejudicar o cérebro e acelerar o declínio cognitivo, aponta estudo

Pesquisa com golden retrievers identificou uma associação entre obesidade, menor atividade física e sinais de declínio cognitivo durante o envelhecimento; os resultados reforçam a importância do controle do peso e do acompanhamento veterinário

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Além dos possíveis efeitos sobre as capacidades mentais, a obesidade canina está associada a problemas físicos importantes • Magnific

O excesso de peso em cães pode trazer consequências que vão muito além das dificuldades para caminhar e dos problemas nas articulações. Um estudo com golden retrievers identificou uma associação entre obesidade, redução da atividade física e maior presença de sinais de declínio cognitivo, especialmente em animais idosos.

A pesquisa foi apresentada durante uma conferência da Sociedade Americana de Fisiologia, realizada em Orlando, nos Estados Unidos. O trabalho foi conduzido por Alexandra Genualdi, estudante da Universidade Estadual de Oklahoma, com base em dados do Golden Retriever Lifetime Study, estudo de longo prazo mantido pela Morris Animal Foundation.

Os pesquisadores compararam informações de cães com condição corporal saudável, sobrepeso e obesidade para investigar possíveis relações entre o peso, a saúde física e as capacidades mentais dos animais ao longo da vida.

Cães obesos apresentaram mais sinais de declínio cognitivo

De acordo com os resultados apresentados, os golden retrievers com obesidade eram menos ativos fisicamente e apresentavam mais sinais compatíveis com o declínio cognitivo à medida que envelheciam.

Esse processo pode envolver mudanças na memória, na orientação e no comportamento social. Na prática, um cão com alterações cognitivas pode começar a demonstrar dificuldades para reconhecer ambientes familiares, interagir com pessoas e outros animais ou manter hábitos que antes faziam parte de sua rotina.

A pesquisa, porém, identificou uma associação entre esses fatores, e não uma relação direta de causa e efeito. Isso significa que os resultados não comprovam que a obesidade seja responsável pelo declínio cognitivo nem que a perda de peso consiga reverter alterações já existentes.

Ao abordar essa questão, Genualdi destacou a necessidade de ampliar o conhecimento científico sobre o tema.

"Ainda não sabemos disso com certeza em cães", afirmou a pesquisadora ao comentar a possibilidade de a perda de peso ajudar a retardar o declínio cognitivo. Ela acrescentou que, em seres humanos, há evidências de que emagrecer e aumentar a atividade física podem retardar a progressão desse processo. A declaração foi divulgada pela própria Sociedade Americana de Fisiologia.

Excesso de peso também aumenta o risco de doenças físicas

Além dos possíveis efeitos sobre as capacidades mentais, a obesidade canina está associada a problemas físicos importantes.

Na análise dos golden retrievers, os animais obesos apresentaram mais que o dobro da probabilidade de desenvolver determinadas condições de saúde em comparação com aqueles que mantinham uma condição corporal adequada.

Entre os problemas identificados estavam doenças endócrinas, osteoartrite e lesões do ligamento cruzado, estrutura importante para a estabilidade das articulações.

Essas condições podem comprometer a mobilidade, provocar desconforto e dificultar a realização de atividades cotidianas. Com menos disposição para caminhar e brincar, o cão também pode gastar menos energia, o que torna o controle do peso ainda mais importante.

Como o estudo foi realizado com golden retrievers, os resultados não podem ser aplicados automaticamente a todas as raças. Mesmo assim, a pesquisa amplia a discussão sobre os possíveis impactos da obesidade na saúde dos cães.

Como saber se o cachorro está acima do peso?

O número indicado na balança nem sempre é suficiente para determinar se um cachorro está saudável. O peso adequado depende de fatores como raça, idade, sexo, tamanho e condição física.

Por isso, os veterinários também avaliam a condição corporal do animal. Essa análise considera a quantidade de gordura acumulada, a facilidade para sentir as costelas e a presença de uma cintura visível quando o cão é observado de cima.

No caso dos golden retrievers, machos adultos costumam pesar entre 29 e 34 quilos. As fêmeas geralmente apresentam peso inferior, mas esses valores são apenas referências e não substituem a avaliação individual.

Se o tutor perceber aumento de peso, dificuldade para se movimentar ou mudanças no comportamento, o ideal é procurar um veterinário. O profissional poderá verificar se existe excesso de gordura corporal e investigar possíveis problemas de saúde associados.

Mudanças na rotina ajudam a controlar a obesidade canina

O controle do peso exige atenção à alimentação, à atividade física e aos hábitos da casa. Simplesmente reduzir a quantidade de comida, sem considerar as necessidades individuais do animal, nem sempre é suficiente para alcançar resultados duradouros.

Entre as medidas que podem ser adotadas com orientação veterinária estão:

  • Controlar as porções: medir a quantidade de alimento oferecida diariamente ajuda a evitar o consumo excessivo de calorias
  • Reavaliar os petiscos: recompensas, restos de comida e outros alimentos extras também contribuem para o ganho de peso
  • Estimular a atividade física: caminhadas e brincadeiras devem respeitar a idade, a condição física e as limitações de cada cão
  • Acompanhar a evolução: consultas periódicas permitem avaliar o peso e ajustar a alimentação conforme os resultados

Estabelecer metas realistas: mudanças graduais tendem a ser mais sustentáveis do que medidas restritivas adotadas sem acompanhamento.

O ambiente doméstico também merece atenção. Os hábitos alimentares da família, a frequência dos passeios e a maneira como o tutor oferece recompensas podem influenciar diretamente a manutenção do peso do animal.

Quais sinais podem indicar alterações cognitivas em cães idosos?

O envelhecimento pode provocar mudanças no comportamento dos cães, mas algumas alterações merecem investigação veterinária.

Entre os sinais que podem estar relacionados ao declínio cognitivo estão a desorientação em locais conhecidos, mudanças na interação social, dificuldades de memória e alterações nos hábitos de sono.

Também merecem atenção episódios em que o animal parece não reconhecer pessoas ou outros animais familiares, passa a andar repetidamente pela casa durante a noite ou começa a fazer as necessidades em locais inadequados, apesar de já ter aprendido a rotina.

Esses comportamentos não confirmam, isoladamente, um problema cognitivo. Outras condições de saúde podem produzir sinais semelhantes, por isso é importante buscar uma avaliação profissional.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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