Uso de animais em laboratórios: novo método pode diminuir significativamente a prática
Resolução autoriza técnica para identificar toxinas em vacinas e remédios sem a necessidade de aplicação em cobaias

O Brasil deu um passo importante na modernização da pesquisa científica e do controle de qualidade de produtos médicos. Foi reconhecido oficialmente no país um novo procedimento alternativo ao uso de animais de laboratório, focado especificamente na detecção de endotoxinas bacterianas.
Essas substâncias são liberadas por certas bactérias e têm o potencial de provocar reações adversas graves no corpo humano, como febre e processos inflamatórios. Por essa razão, a testagem minuciosa para identificar a presença de endotoxinas é uma exigência fundamental antes da liberação de medicamentos, vacinas, equipamentos hospitalares e diversos produtos injetáveis no mercado.
A decisão foi aprovada pelo Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (Concea), através da Resolução nº 77, publicada no Diário Oficial da União, na quinta-feira (23 de julho).
A nova diretriz autoriza laboratórios, empresas da indústria farmacêutica e centros de pesquisa a implementar a técnica substitutiva. Para que a transição ocorra, as instituições precisam seguir rigidamente os protocolos de validação e atender às normas regulatórias de cada item analisado.
Com a mudança, busca-se impulsionar a adoção de tecnologias de laboratório capazes de entregar análises padronizadas, seguras e altamente confiáveis. A medida faz parte de uma política nacional continuada para incentivar a redução, a substituição e o aperfeiçoamento da utilização de animais na ciência.
Vale destacar que a inovação não zera de imediato a aplicação de testes animais em todas as etapas laboratoriais. A substituição efetiva ocorrerá de forma gradual, dependendo da finalidade de cada análise, da aprovação dos órgãos reguladores e da confirmação técnica de que o novo método atende com precisão a todos os critérios estabelecidos.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



