Tartarugas criadas como pets: como elas demonstram bem-estar no convívio com tutores?
Elas não expressam afeto como mamíferos, mas demonstram bem-estar, reconhecimento e conforto quando vivem em condições adequadas e previsíveis

As tartarugas criadas como pets costumam ser vistas como animais pouco expressivos, mas segundo especialistas, répteis também dão sinais claros de bem-estar, reconhecimento do ambiente e interação com cuidadores, mesmo que de forma diferente de cães e gatos.
O comportamento ativo, a alimentação regular e a resposta ao ambiente são indicadores importantes de saúde, de acordo com orientações do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Por isso, o tutor deve ficar atento, pois qualquer mudança de apetite, letargia ou isolamento podem indicar estresse ou doença.
Veterinários especializados em animais silvestres também apontam formas sutis de interação. A médica-veterinária Jéssica Moraes, explica que as tartarugas podem associar a presença do tutor à oferta de alimento e segurança, e se aproximando espontaneamente. Segundo ela, “o vínculo não é afetivo como em mamíferos, mas existe reconhecimento e resposta positiva ao cuidador”.
“Reconhecer os limites biológicos de cada animal é essencial para garantir bem-estar”, destaca o conselho ao tratar de guarda responsável de espécies não convencionais.
A Itatiaia listou cinco sinais de bem-estar em tartarugas mantidas como pets:
- Aproximação do tutor, geralmente associada à alimentação ou rotina previsível.
- Apetite regular e crescimento adequado, conforme orientações do Ibama.
- Exploração ativa do ambiente quando temperatura e iluminação estão corretas.
- Postura corporal relaxada e períodos normais de descanso, descritos em guias herpetológicos.
- Ausência de letargia, isolamento ou recusa alimentar, que podem indicar estresse ou doença.
Regras para criação de tartarugas
No Brasil, a criação de tartarugas só é permitida quando envolve espécies legalizadas e provenientes de criadouros autorizados pelo Ibama, com documentação que comprove a origem regular do animal. Retirá-las da natureza é considerado crime ambiental, conforme a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998). Antes de adquirir o réptil, o tutor deve verificar se a espécie é permitida, se o vendedor é credenciado e se há condições adequadas de manejo.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



