Tártaro não tratado em cães idosos pode causar dor e infecções sistêmicas; saiba mais
Apesar de comum em clínicas, procedimento requer conversa com o médico veterinário, principalmente no caso de cães idosos com problemas cardíacos, renais ou endócrinos

A limpeza de tártaro em cães idosos vai muito além de estética ou de eliminar o mau hálito: é um procedimento de saúde básico para evitar doenças periodontais graves e consequências sistêmicas. Especialistas em odontologia veterinária brasileira e referências em saúde animal alertam que acúmulo de placa e tártaro pode levar à gengivite, infecção e até afetar órgãos como coração e rins, especialmente em animais mais velhos.
Esse acúmulo, se não tratado, contribui para infecções que afetam coração, rins e fígados, de acordo com a odontologista veterinária Nicole Casara. “A boca é a porta de entrada do organismo, e a ausência de cuidados preventivos ou tratamentos adequados pode ter consequências graves”, alerta à reportagem.
A odontologia veterinária, área da medicina veterinária que estuda doenças da cavidade oral e procedimentos para tratá-las, é responsável pela avaliação clínica e pelo manejo do tártaro em pets, incluindo cães idosos. Segundo definição da odontologia veterinária, procedimentos como raspagem e profilaxia são essenciais para manter a saúde bucal e prevenir doenças periodontais, e devem ser realizados exclusivamente por veterinários qualificados.
A limpeza de tártaro, também chamada de profilaxia dental, é feita por médicos-veterinários, preferencialmente especializados em odontologia veterinária, sob anestesia geral. “É necessário o tratamento periodontal feito em ambiente cirúrgico. Não espere o mau cheiro ser o sinal de alerta”, segundo a médica-veterinária Thayna Clemente.
Profissionais brasileiros reforçam que a doença periodontal é altamente prevalente em cães adultos e idosos, mas ainda pouco reconhecida por tutores até que cause sintomas visíveis. Muitos tutores desconhecem a importância da higiene oral para prevenir problemas mais sérios.
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Avaliação clínica e exames pré-anestésicos
Antes de qualquer intervenção, o veterinário solicita exames como hemograma, testes de função renal e hepática, e às vezes avaliação cardíaca, para reduzir riscos da anestesia em animais mais velhos. Esses exames ajudam a garantir que o paciente esteja apto ao procedimento, principalmente no caso de idosos com comorbidades.
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Anestesia geral para profilaxia elétrica e ultrassônica
A técnica padrão envolve anestesia geral para permitir que o dentista veterinário acesse todos os dentes de forma segura, e remova o tártaro acima e abaixo da linha gengival com instrumentos ultrassônicos e manuais. Isso impede que a placa bacteriana siga avançando e inflamando os tecidos periodontais.
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Polimento e avaliação aprofundada
Após a remoção do tártaro, os dentes são polidos para dificultar a nova adesão de placa e, em muitos casos, o veterinário realiza radiografias dentárias para identificar lesões ocultas na raiz ou abscessos.
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Indicação de extrações quando necessário
Se algum dente estiver muito comprometido pela doença periodontal, o veterinário pode indicar a extração, que alivia dor, melhora a mastigação e evita infecções persistentes.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



